Cientista diz: filme de James Bond moldou consciências
Bom, agora a gente sabe. A desconfiança pública da energia nuclear foi provocada por um filme: 007 Contra o Satânico Dr. No, de 1962, no qual o vil e torpe cientista do mesmo nome, na primeira aventura de James Bond, constrói uma usina nuclear em uma ilha jamaicana para ameaçar o mundo.
Não há dúvida de que Phillips é um cientista eminente e respeitado. Um químico, ele é escritor, uma personalidade na TV e um líder em seu campo. No entanto, culpar um filme de espionagem de 50 anos pela desconfiança e o temor da energia nuclear parece uma das piores peças de propaganda pró-nuclear já vistas, quando nós achávamos que já tínhamos visto todas, comenta o Greenpeace.
Na verdade, se a teoria de Phillips de que a cultura popular influenciou as atitudes das pessoas em relação à energia nuclear estiver certa, nós poderíamos todos achar que tudo bem com ela. Veja o caso dos Simpsons, tão ou mais populares que James Bond. Apesar da terrível situação da usina de Springfield, ninguém morreu, ficou com leucemia e, a parte alguns peixes com três olhos, o ambiente local está totalmente intocado. Em um dos episódios, Homer tem até de comer resíduos nucleares como punição, e não acontece nada com ele.
O estranho raciocínio de Phillips insulta a inteligência daqueles que presenciaram os horrores de Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima, e incontáveis outros acidentes grandes e pequenos. Quantos de nós lembramos do dr. No ou vimos o filme? Milhares de militantes contra a energia nuclear nem tinham nascido quando ele foi feito.
Esta história apenas aponta para o desespero da indústria nuclear e de seus simpatizantes. Ao apelar para um filme do começo dos anos 1960, eles estão nos pedindo que esqueçamos o que aconteceu de lá para cá – a contaminação pela mineração de urânio, o dano ambiental causado por reatores e o legado do lixo atômico, uma praga para a raça humana por centenas de milhares de anos.
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