Organizações ambientalistas reunidas na conferência do clima de Durban acusaram ontem o Brasil de estar contribuindo para o aquecimento global com a reforma do Código Florestal, cuja votação no Senado foi adiada para a próxima terça-feira.
A reportagem é de Cláudio Angelo e Márcio Falcão e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 01-12-2011.
Isso porque o novo código anistia desmatamentos antigos e permite novos, o que comprometeria as metas brasileiras de redução de emissões de gases-estufa, como o CO2, anunciadas pelo Brasil em 2009, em Copenhague.
As florestas agem como fixadoras de carbono e sua destruição joga esse gás na atmosfera, contribuindo para o aumento do aquecimento global.
O país se comprometeu a reduzir entre 1,16 bilhão e 1,26 bilhão de toneladas de CO2; suas emissões em 2020 em relação ao que seria liberado se nada fosse feito. Boa parte da meta deverá ser cumprida com a redução de 80% no desmatamento na Amazônia.
O "Eco" afirma ainda que as mudanças no código criam uma situação "embaraçosa" para o Brasil, que sediará no ano que vem a conferência Rio +20, sobre desenvolvimento sustentável.
Em Brasília, o Ministério do Meio Ambiente evitou polemizar. Mas afirmou que a nova lei ajudará o Brasil a cumprir a meta dos gases-estufa, e não o contrário. Para o governo, o código estimulará a recuperação de parte das florestas desmatadas ilegalmente até julho de 2008.
A votação do texto no plenário do Senado, que deveria acontecer nesta semana, foi adiada depois que uma manobra regimental do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) derrubou o requerimento de urgência, na terça.
Ontem a urgência foi aprovada por 58 votos a 6, mas devido ao regimento do Senado a votação só poderá correr na semana que vem.
No plenário, há ainda alguns pontos de atrito entre o governo e ruralistas.
Um deles é uma emenda do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que prevê que conselhos estaduais possam aumentar a proteção a bacias hidrográficas importantes e muito degradadas.
Outro é a exigência da bancada do Nordeste de excluir uma parte do manguezais da categoria de área de preservação permanente, para liberá-los à criação de camarão.
Segundo o senador Blairo Maggi (PR-MT), essas são questões "que pegam" para os deputados, que terão a palavra final sobre a lei.
A situação no Senado fez a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) adiar sua ida a Durban, onde deveria chefiar a delegação brasileira a partir de sábado.
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