O maior desafio da ciência é produzir processos e produtos que contribuam para a ampliação do bem-estar da sociedade. A opinião é do químico japonês Ei-chi Negishi, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2010, que participa da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) sobre "Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica". O evento prossegue até esta quinta-feira (18) no Centro de Convenções da Unicamp. "Nós precisamos de roupas, moradia, todo o material essencial à nossa vida. As pesquisas em torno dessas necessidades precisam sempre avançar; não podem retroceder", afirma.
A necessidade, enfatizou o cientista, é o combustível das novas descobertas. De acordo com ele, ideias para o desenvolvimento de investigações em áreas de relevância normalmente surgem quando o pesquisador se ressente de algo ou percebe que a sociedade precisa de alguma coisa. "Você sonha com uma forma de melhorar a sociedade, e aí você tenta descobrir novos métodos para produzir alimentos, remédios, produtos eletrônicos. Penso que realizei meu sonho de construir coisas. É disso que vim falar neste evento", declarou Negishi, que foi laureado com o Nobel por causa de suas contribuições às reações químicas catalisadas pelo elemento químico paládio, que já são de ampla aplicação no desenvolvimento de novas gerações de fármacos e agroquímicos.Sobre o nível da ciência produzida no Brasil, o cientista considerou que o país é muito promissor e que tem condições de ganhar o seu primeiro Nobel. "A primeira vez em que o prêmio foi concedido a um japonês foi em 1949, apenas quatro anos após o país ser devastado pela Segunda Guerra Mundial", comparou. Segundo ele, a pesquisa em química cresce especialmente rápido no Brasil. "Prova disso é o programa ESPCA, mantido pela Fapesp. Fiquei muito entusiasmado com o formato do evento. Acho que é o tipo de iniciativa que terá certamente grande impacto no futuro desses jovens pesquisadores e do país", previu.

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