Desmatamento, segurança nas fronteiras, tráfico, biopirataria. No último sábado (14), o General Eduardo Villas Bôas falou sobre os problemas que atingem o país, principalmente a Amazônia, e as possíveis soluções. "Em pleno século XXI não acabamos a ocupação interna. Não integramos todo o nosso território. Nós sabemos que a defesa da Amazônia depende dos soldados que estão lá, mas depende muito mais de ocupação e desenvolvimento", explica.
De acordo com o General, o tráfico nessas regiões é extenso porque há vazio de poder, pouco planejamento e presença do Estado. A preocupação, no entanto, também é compartilhada pelo governo que, no último mês, apresentou alguns projetos para amenizar e resolver os problemas. "Não é trabalho fácil vigiar, controlar e fiscalizar fronteiras, principalmente em um país de dimensões continentais como o Brasil", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante o lançamento do primeiro Gabinete de Gestão Integrada (GGI).
O projeto, lançado em Foz do Iguaçu (PR), tem como objetivo combater o crime organizado e transacional nas áreas de fronteira. A ideia é que Estado, Prefeitura e países fronteiriços trabalhem juntos nas ações contra criminosos. O ministro ressaltou ainda, durante o lançamento, a importância dessa união entre as forças e lembrou do apoio dos países vizinhos. “Há o interesse desta participação por parte do governo da Bolívia e isso é essencial”, disse.
Além da iniciativa, projetos com esse foco poderão resultar em outros benefícios, como aponta o General. "A Amazônia tem que ser abordada de forma sistêmica e o que vai salvá-la é o desenvolvimento. Se houver bons projetos e ocupação das terras não haverá tanto tráfico e essa é a única maneira de resolver o problema do desmatamento. Mas, no Brasil, nós perdemos o sentido de projeto, precisamos saber o que queremos", informou Villas Bôas.
O problema com o desmatamento e as discussões sobre o Código Florestal também foram apontados. “A guerra não será vencida enquanto o desmatamento não for zero. Mas as coisas estão se 'ideologizando' e a ideologia ignora a realidade”, disse o General. As mudanças no Código Florestal foram ressaltadas na última semana. Entre as principais alterações, a nova proposta permite que até 50% de mata virgem seja derrubada e que áreas de preservação permanente possam ser exploradas pela agricultura.
Natalha carvalho

Nenhum comentário:
Postar um comentário