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terça-feira, 15 de março de 2011

Produtos das mulheres extrativistas da Amazônia vão ganhar mercado

Evento em Belém lança projeto do Ministério do
Desenvolvimento Agrário e Conselho Nacional 
das Populações Extrativistas
Durante as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, muito se falou da realidade econômica e social das mulheres do “campo” e “da cidade”. Mas existe uma parcela geralmente esquecida pelas políticas públicas: as mulheres que vivem na floresta, mais precisamente aquelas que vivem a partir de atividades extrativistas na Amazônia.
Para sobreviver, muitas mulheres organizam-se em organizações produtivas, como forma de viabilizar a venda de produtos como castanha, óleos vegetais, pescado ou artesanato. Entretanto, por falta de orientação ou estrutura, a maior parte desses produtos acabam atingindo um mercado pequeno, às vezes insuficiente até mesmo para manter as mulheres e suas famílias financeiramente. Além disso, a própria cultura do homem como “chefe de família” também se transforma em obstáculo.
Para preencher essa lacuna, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) realizam entre os dias 15 e 17, em Belém, o 1º Seminário Nacional da Organização Produtiva das Mulheres Extrativistas. Durante três dias, mulheres extrativistas dos nove estados da Amazônia irão trocar experiências, participar de debates sobre temas relacionados às atividades produtivas na região e conhecer em detalhes o projeto conjunto do MDA e CNS para o fortalecimento das organizações produtivas de mulheres.
Projeto – Através de um convênio entre CNS e MDA, será implantado a partir deste ano o projeto “Formando Redes Estratégicas de Organização Produtiva das Mulheres Extrativistas”. “Um dos objetivos principais do projeto é levantar dados sobre as associações produtivas de mulheres existentes nos nove estados da Amazônia. Como se organizam, o que produzem, quais as dificuldades, etc.”, explica Célia Neves, titular da Secretaria da Mulher Extrativista do CNS. “A partir desses dados, iremos viabilizar oficinas e capacitação em organização produtiva, além construirmos uma grande rede amazônica entre as organizações”, explica Célia.
Para promover os produtos das organizações de mulheres da Amazônia, serão realizadas este ano três grandes feiras de produtos extrativistas, nas principais capitais da região: Belém (PA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC). Será produzido ainda um catálogo, contendo a listagem de cada organização de mulheres da Amazônia e o produto que podem oferecer. “A ideia é que compradores, entre empresas e pessoas físicas, possam ter acesso facilitado a produção extrativista amazônica, adquirindo os produtos que lhe interessam direto na fonte”, diz Célia Neves.
Os produtos extrativistas da Amazônia possuem potencial para ganhar não só o Brasil, mas o mundo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, durante a Biofach, maior feira de produtos orgânicos do mundo realizada este ano na Alemanha, os produtos extrativistas somaram cerca de US$ 1,6 milhão em vendas, além de cerca de US$ 5 milhões em negócios.
Dados – Segundo dados do CNS, existem atualmente cerca de 53 reservas extrativistas na Amazônia, que totalizam pouco mais de 12 milhões de hectares (12.303.711 ha), uma área superior a 10 milhões de campos de futebol.Entre reservas extrativistas florestais e marinhas, a maior é a Resex “Verde Para Sempre”, localizada no município de Porto de Moz (PA), com 1,2 milhão de hectares.
Entre os produtos extrativistas produzidos na região amazônica, destacam-se a castanha (AC), o babaçú (MA), o pescado e o açaí (PA), além de óleos vegetais, muito procurados pelas indústrias de cosméticos e farmacêutica.

1º Seminário Nacional da Organização Produtiva das Mulheres Extrativistas

Entrevistas:
Célia Neves (titular da Secretaria da Mulher Extrativista – CNS)
Cristina Silva (Coordenadora do CNS Belém)
Isolda Dantas (Coordenadora da Assessoria Especial de Gênero, Raça e Etnia – Aegre/MDA)

Local: sede da Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Av. Barão do Triunfo, nº 3151 (entre Duque e 25 de Setembro)
Data/Horário: de 15 a 17 de março, das 8h às 18h.

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