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terça-feira, 15 de março de 2011

Pará e Alemanha, uma relação em expansão


A Alemanha já é o terceiro maior consumidor dos produtos paraenses, passando a frente dos Estados Unidos. No ano passado, as exportações cresceram em 121%, em comparação a 2009, registrando um valor exportado de US$ 818 milhões. Além das vendas para o país europeu, o Pará também expandiu em 68% as importações de produtos alemães.

É nesta perspectiva de crescimento que, desde agosto do ano passado, demos início a uma agenda de ações propositivas que venham fortalecer ainda mais os laços comerciais com a Alemanha, a qual vem a ser a porta de entrada para a União Européia. Já recebemos a visita do embaixador alemão no Brasil, Wilfried Grolig, e, no final de fevereiro, uma comitiva composta por representantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha estiveram em Belém para reunir com o empresariado local. 

A vinda destas autoridades alemãs demonstra que nosso Estado desperta interesse no povo germânico. Precisamos aproveitar essa oportunidade e a atual situação de destaque que o Pará vem conquistando para não só expandir comércio, mas também absorver novos investimentos. Temos muito que aprender com a nação alemã. Eles são considerados a maior potência econômica e tecnológica da Europa, ocupando o quinto lugar em nível mundial e a segunda posição no comércio internacional.

Ademais, a Alemanha é um dos países que demonstram ter maior preocupação com o meio ambiente, sendo inclusive a região da Europa mais rigorosa com normas ambientais. Essa preocupação com o futuro, com a sustentabilidade da produção e a preservação dos recursos naturais deu aos alemães o conhecimento e tecnologia inovadores, os quais, inseridos a nossa realidade poderão vir a contribuir com a nossa ousada meta do desmatamento zero.

No sentido de reforçar os laços com a Alemanha, o setor produtivo e o governo do Estado já começaram a trabalhar na campanha de trazer ao Pará o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em 2015. Este é o maior evento de cunho econômico que o Brasil participa e é responsável pela atração de grandes empreendimentos para ambos os países.

Neste ano, o Encontro Brasil-Alemanha, que chega a sua 29ª edição, acontecerá em setembro, na cidade do Rio de Janeiro. O evento, que tem como realizadores a CNI e sua congênere alemã Bundesverband der Deutchen Industries (BDI), acontece de forma alternada, sendo uma vez no Brasil, outra no país europeu. Em 2010, o encontro foi realizado em Munique e, durante os seus três dias de duração, reuniu 500 empresas dos dois países, além de 780 participantes e registrou 220 encontros “match-making”, espécie de oportunidade para novos contatos empresariais.

Além do Pará, Rio Grande do Norte já demonstrou interesse para sediar o encontro, no entanto, temos o diferencial que é nossa floresta e o nosso modo produtivo sustentável, que muito despertam interesse nos europeus. Por isso, a FIEPA e demais entidades representativas do setor produtivo, com o auxílio do governo do Estado, somaremos força a fim de trazermos para a região amazônica este evento. O Centro Internacional de Negócios (CIN-FIEPA) já entrou no circuito em negociação com os realizadores do evento. Entendemos que o encontro não é benéfico apenas no curso de seus três dias de realização, na verdade, os resultados surgem no pós-evento, com a captação de novos recursos injetados por parte da Alemanha para investimento aqui no Brasil.

A força do investimento alemão no Brasil é claramente evidenciada quando pegamos o PIB industrial brasileiro, do qual 10% de seu total são gerados por empresas alemães instaladas em nosso país. A Volkswagen, por exemplo, se manteve como a maior fabricante de veículos do Brasil, chegando a bater uma produção recorde de 826 mil automóveis, em 2010. Uma alta de 7,2% em comparação ao ano anterior. A gigante automobilística registra uma média anual de US$ 16 bilhões de faturamento, sendo a maior empregadora do setor, com 21.524 empregos diretos.

Acredito piamente que temos condições de não só sediarmos o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, mas também sermos beneficiados com parte destes investimentos europeus. Temos o que eles querem: uma diversidade natural fantástica e vontade de produzir. Por outro lado, os alemães têm aquilo que estamos precisando: um conjunto de tecnologias, conhecimento e claro, condições para investirem em nosso Estado, desenvolvendo não só o Pará, mas a Amazônia com foco na sustentabilidade e preservação de nossa área de floresta, a qual tanto desperta interesse dos cidadãos do mundo.

José Conrado Santos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará

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