Para entrar nas áreas, os madeireiros chegam a pagar R$ 5 mil aos agricultores, o que tem provocado revolta da maioria das famílias.
A conivência de alguns assentados de Anapu (PA) com o corte ilegal e a retirada de madeira do PDS Esperança será investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) de Altamira.
Para entrar na área, os madeireiros chegam a pagar R$ 5 mil aos agricultores, o que tem provocado revolta da maioria das famílias. O procurador da República Bruno Gutschow anunciou que o MPF está trabalhando para identificar e punir quem vende madeira para as serrarias de Anapu.
Na área onde funciona o projeto de desenvolvimento sustentável implantado
pela missionária Dorothy Stang, assassinada por pistoleiros, em 2005, as
famílias fecharam há uma semana as estradas de acesso ao projeto para
impedir a entrada de caminhões das empresas madeireiras. As polícias civil e
militar estão no local, mas o clima ainda é tenso por conta das ameaças de
confronto entre os dois lados.
No meio da disputa está o Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra), acusado de ter abandonado os agricultores à própria sorte.
A fiscalização dos órgãos ambientais também pouco aparece na região, o que
facilita a entrada das madeireiras para derrubar a floresta que cerca o
assentamento.
O padre Amaro Lopes e as freiras Jane Dwyer e Katia Webster, que continuam o
trabalho da irmã Dorothy Stang, estão no local onde os assentados bloquearam
a estrada e continuam acompanhando de perto a situação. As famílias querem
que o governo permita a construção de guaritas de segurança para inibir a
entrada de caminhões das madeireiras no assentamento. "Isso já existe em
outra área próxima e deu certo", explicou Lopes.
A superintendente do Incra de Santarém, Cleide Antonia de Souza, participou
hoje de uma reunião com as lideranças dos assentados para ouvir suas
reivindicações. Além dela estavam presentes representantes do MPF e da
Comissão Pastoral da Terra (CPT).
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