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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vale foi maior exportadora em 2010, com US$ 24 bi, aponta MDIC

 

A Vale, maior empresa de minério de ferro do mundo, alcançou em 2010 o posto de 
principal exportadora  brasileira, desbancando a Petrobras, líder desse ranking desde 
2002. Segundo dados divulgados recentemente pela Secretaria de Comércio Exterior 
(Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic),
as vendas  externas da Vale somaram US$ 24 bilhões FOB (free on board), 32% 
acima dos embarques de US$ 18,187 bilhões da Petrobras. 

José Carlos Martins, diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale


  Graças a um crescimento de 122,07% em relação ao total exportado em 2009, a Vale respondeu por 11,91% do total das exportações brasileiras e reassumiu um posto que não ocupava desde 1998. A parcela da Petrobras em 2010 foi de 9,01%, com uma expansão das exportações de 47,78% em relação ao ano anterior.


A expectativa é que a condição de líder entre as exportadoras se repita em 2011, segundo o diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins. "A Vale vem aumentando sua participação nas exportações brasileiras ano após ano", afirma o executivo. Em 2005, essa parcela era de 4,07%; em 2006, de 4,36%; em 2007, de 4,92%; em 2008, de 6,84% e; em 2009, de 7,08%. 


"Temos também exportação indireta por meio da Samarco, da qual possuímos 50%. Se incluirmos essa participação, os números ficam ainda mais expressivos", afirma. Em 2010, a Samarco exportou US$ 3,214 bilhões, ocupando a quinta colocação no ranking da Secex.

O desempenho das exportações da Vale resultou principalmente dos preços elevados do minério de ferro num momento de oferta restrita da commodity em relação à demanda. 

A Petrobras, por sua vez, foi obrigada a reduzir as exportações de derivados de petróleo ao longo do ano passado, de forma a garantir o abastecimento do mercado interno. De quebra, o desempenho da petrolífera foi afetada por uma oscilação do petróleo menos acentuada do que a do minério de ferro. 



A recuperação dos volumes embarcados de minério em relação a 2009 também foi fundamental para que a Vale se tornasse a maior exportadora brasileira em 2010. Conforme o executivo da Vale, dados preliminares apontam que a mineradora exportou quase 20% a mais em volume no ano passado, na comparação com 2009.


A entrada em vigor do novo modelo de precificação, a partir de 1º de abril de 2010, permitiu que as mineradoras passassem a se beneficiar, trimestralmente, das altas cotações da matéria-prima no mercado à vista (spot) chinês. O cálculo do reajuste, no novo sistema, considera a média dos preços no mercado à vista, levando em conta também prêmios de qualidade e frete. Conforme o mercado, os preços contratuais do minério fechados para o segundo trimestre de 2010 tiveram alta de quase 100%, os valores para o terceiro trimestre foram elevados em 35% e, para o quarto trimestre, caíram de 8% a 13%. O preço médio do petróleo em 2010, por sua vez, cresceu 28,2% em relação a 2009.


O aperto entre oferta e demanda de minério têm levado a sucessivas altas das cotações da matéria-prima no mercado à vista chinês. Hoje, os preços à vista da commodity fecharam a US$ 182,01 por tonelada na China, valor que não era registrado desde abril de 2010, e já há quem espere que o recorde histórico de US$ 200 por tonelada possa ser superado. As elevações no mercado à vista apontam para novo reajuste positivo no segundo trimestre, após a alta média de 10% nos valores contratuais para o primeiro trimestre.


Na visão de Martins, o sistema de reajustes trimestrais reduziu os conflitos nas negociações de preços. Ele diz considerar que o modelo atende aos interesses dos produtores e dos clientes, num cenário de grande volatilidade de preços. "Estamos satisfeitos com o sistema trimestral. Não passa pela nossa cabeça considerar qualquer modelo diferente desse. Não é nem o preço diário, como o petróleo e outras commodities, nem o anual. É uma posição intermediária que atende aos dois lados."


A mudança da estratégia da mineradora em relação aos fretes também contribuiu para a obtenção de preços mais elevados e receita maior pela Vale, de acordo com o executivo. Segundo Martins, após o momento da crise financeira internacional em que clientes deixaram de mandar navios ao Brasil para buscar minério, a companhia passou a atuar de maneira mais ativa em relação às entregas, contratando fretes e comprando ou mandando construir navios.

Um dos impactos dessa mudança foi que a Vale conseguiu custos menores de frete, o que possibilitou preços FOB mais elevados. "O preço CIF na China é uma combinação do preço do minério com o do frete.

Como conseguimos manter o frete num patamar mais baixo, o diferencial acaba indo para o preço do minério. Descontando o frete do preço CIF, chegamos ao preço FOB", explica Martins. Atualmente, a Vale combina vendas FOB (em que o cliente paga pelo transporte) e CIF (em que o exportador paga o custo e o frete necessários para que os produtos cheguem ao destino).


Em 2011, a capacidade da Vale em minério de ferro deve chegar a patamar entre 320 milhões de toneladas e 330 milhões de toneladas. No ano passado, a capacidade era de 300 milhões de toneladas. "Todo ano, temos um ganho de 5% a 10% em capacidade de produção", diz Martins. Há alguns anos, destaca o executivo, a Vale passou a investir "maciçamente", apostando no mercado chinês. Até que as novas capacidades previstas pelas mineradoras entrem em operação, a expectativa do mercado ainda é de aperto da oferta mundial pelo menos nos próximos dois anos.


O crescimento de produção da Petrobras foi mais discreto que o da mineradora. Afetada pela interrupção de operações de diferentes plataformas, a companhia anunciou dados preliminares mostrando que o fechando de 2010 ficou em um patamar de produção de 2,003 milhões de barris por dia, um novo recorde anual, mas inferior aos 2,1 milhões de barris diários inicialmente projetados pela companhia.


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