Pouca gente sabe, mas é no Ibirapuera que os animais silvestres de toda a cidade são socorridos ou abrigados, quando estão doentes, machucados ou então são apreendidos.
Próximo ao Viveiro Manequinho Lopes, quase escondida, em uma área longe da agitação, funciona a Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre da Prefeitura de São Paulo (Depave-3). Lá trabalha uma turma que adora bicho. E precisa gostar mesmo, pois o trabalho não para. Infelizmente, têm sido atendidos entre 2500 e 3000 animais a cada ano – 40 mil nos 18 anos de funcionamento da Divisão. A maioria desses "pacientes" (36 mil) são silvestres de todos os tipos, levados pela população ou pela polícia florestal, e o restante são os quase "domésticos", criados nos parques, como gansos, cisnes, marrecos e biguás.
Enquanto metade dos animais recebidos são apreendidos em função do tráfico e posse ilegal (eles devem viver soltos, é bom lembrar), a outra metade aparece em função da sua convivência íntima com a cidade e o homem, que vêm pressionando cada vez mais as áreas naturais.
Nesse embate, os animais, que a gente não percebe ou nem imagina que possam estar tão perto, são o lado mais frágil dessa relação, por isso tem sido constante as ocorrências de pássaros feridos com linhas de pipa, macacos e gambás mordidos por cachorros ou eletrificados nas cercas elétricas, além de vários outros animais atropelados, perdidos ou engasgados com "comida" imprópria, encontrada nos lixos.
Quem chega no hospital veterinário recebe muito carinho. É examinado, tratado e alimentado, para depois ser devolvido ao seu ambiente natural. Já os feridos graves passam por cirurgia e reabilitação, até poderem ser soltos novamente, mas nem sempre todos conseguem se recuperar para voltar para casa. "Aqueles que passam longos períodos em recuperação acabam se domesticando, tornam-se dóceis, e fica difícil reintroduzi-los depois", explica a veterinária e diretora do Depave-3, Vilma Geraldi.
Para oferecer todo o atendimento, o hospital conta com laboratórios, ambulatório, salas de quarentena, sala de cirurgia, algumas jaulas ambientadas, e criações de camundongos, codornas e insetos, como os gafanhotos, que servem de alimento. "Os animais têm que comer o que estão acostumados no seu ambiente natural. Muitos pássaros não comem frutas, mas insetos. Sempre que recebemos uma espécie nova, pesquisamos os seus hábitos. Isso ajuda a acelerar a sua recuperação e a sua soltura", conta Vilma
Fica a dica, portanto, para onde levar um bichinho que precise de ajuda. Mas atenção, não valem cães e gatos. O Depave-3 só atende os animais silvestres, e eles não são devolvidos depois de tratados, já avisa Vilma. "Os animais silvestres não devem ter donos, não podem ser pets, pois isso alimenta o tráfico e os fragiliza. Se forem abandonados ou soltos, não conseguem sobreviver sozinhos depois", alerta a veterinária.
Rodrigo Gerhardt
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