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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Protestante geneticista dirigirá Academia de Ciências do Vaticano



O Papa Bento XVI nomeou um não católico, o Prêmio Nobel Werner Arber, um protestante suíço, como novo presidente da Academia pontifical de Ciências, anunciou neste sábado a Santa Sé em comunicado. Trata-se de uma inovação na história da instituição, fundada em 1603, segundo a agência de informações religiosas I.Media.
                                                                       
 
Arber, 81 anos, geneticista e especialista em biologia molecular, sucede ao italiano Nicola Cabibbo, falecido em agosto passado. O cientista suíço, mestre no Biozentrum da Universidade de Bâle obteve o Prêmio Nobel de Medicina em 1978 pela descoberta da enzima de restrição - um mecanismo de defesa das bactérias ante a agentes infecciosos - junto com os americanos Hamilton O. Smith e Daniel Nathans. É membro da Academia pontifical desde maio de 1981 e participa de seu conselho de direção. Nos anos 1960, Arber também descobriu enzimas que permitem cortar o DNA, suporte do código genético, em locais precisos e em partes menores, tais como verdadeiras "tesouras moleculares".

Trinta cientistas que receberam o Nobel fazem parte da Academia pontifical de Ciências, herdeira da Academia de Lyunx, fundada pelo príncipe mecenas Federico Cesi, promotor do telescópio de Galileu. A instituição se interessa pela pesquisa científica fundamental e por problemas da ética, principalmente nas questões ambientais. Os 80 cientistas que a compõe são todos nomeados pelo papa.

Werner Arber
 

 Werner Arber, diplomado em Ciências Naturais pela Escola Politécnica da Suíça, em Zurich, trabalhou inicialmente com microscopia eletrônica no Laboratório de Biofísica da Universidade de Genebra, onde concluiu seu doutorado em 1959. Após três anos de pós-doutorado nos Estados Unidos retornou a Genebra como docente de genética molecular. Em 1971 transferiu-se para a Universidade da Basiléia como professor de microbiologia. Interessou-se pelo estudo dos bacteriófagos, um tipo de vírus que penetra nas bactérias e é capaz de transferir genes entre diferentes bactérias. Suas pesquisas levaram à descoberta das chamadas enzimas de restrição ou endonucleases, que têm a propriedade de dividir a cadeia de nucleotídeos do DNA em fragmentos, contendo, cada um deles, determinados genes. Funcionam como verdadeiras tesouras que cortam a hélice do DNA em locais específicos. A transferência de tais fragmentos e sua incorporação ao genoma de uma bactéria confere a esta o código genético do DNA primitivo. Os estudos de Werner Arber foram complementados pelos americanos Daniel Nathans e Hamilton Smith e conduziram a uma aplicação prática extraordinária, que foi a engenharia genética. Os três receberam conjuntamente o prêmio Nobel de 1978. A bactéria preferida para obtenção do DNA recombinante é a Escherichia coli, com a qual foi possível obter insulina e que é hoje utilizada na produção de vacinas, como a da hepatite "B".

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