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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mesmo com cheia, ribeirinhos ainda sentem efeitos da seca na Amazônia


No Canal do Curari, no Solimões, agricultor não consegue escoar produção
Segundo CPRM, nível de água dos rios deve voltar ao normal em fevereiro


O nível dos rios na Amazônia voltou a subir desde o ano passado, mas ainda não foi suficiente para normalizar as atividades. Agricultores que vivem na beira de rios ainda sentem os efeitos da estiagem e o escoamento de produtos permanece comprometido.

Algumas regiões com o leito do rio quase seco ainda demandam canoa e caminhar sobre a água. Segundo o agricultor Antônio Lopes, o Canal do Curari, no Rio Solimões, já estaria cheio nesta época, como em outros anos. "A água está sempre mais alta e o barco já viaja", diz ele.
      

Lopes tem uma tonelada de feijão para colher, mas ainda não consegue escoar
a produção. Já o agricultor Paulo Moisés conseguiu uma boa safra de milho
verde, com mais de 6,5 mil espigas. As 52 sacas tiveram de ser transportadas
por mais de dois quilômetros. "Foi carregado nas costa, sem jumento, sem
nada
, contou.


A subida das águas também ocorre em Manaus. O Rio Negro sobe em média sete
centímetros por dia, ritmo considerado normal. Mas a cota está abaixo da
registrada no início do mês de janeiro em anos anteriores e ainda não chegou
aos 20 metros.
 

De acordo com Marco Antonio Oliveira, superintendente do Serviço Geológico
do Brasil no Amazonas, as chuvas estão contribuindo para os rios voltarem ao
normal em janeiro. "Com a retomada das chuvas na bacia do Solimões, ela
começa a represar o Rio Negro e ele volta a subir, deflagrando o processo de
cheia na bacia do Negro. Como também tem chovido acima da média na bacia do
Negro por conta do fenômeno La Niña, esta subida deve se acentuar nos
próximos dias
, explicou Oliveira, segundo quem a previsão é de que os rios
se normalizem em fevereiro.

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