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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

As hélices do Google

O gigante da Internet investiu 200 milhões de dólares numa rede submarina de
transmissão de energia eólica. Pode ser o começo de uma revolução energética

 


Se houvesse uma única explicação para o sucesso do Google, a ferramenta de buscas que em dez anos se transformou num império da internet, essa seria a perspicácia com que a empresa identifica uma nova demanda e a rapidez com que trata de supri-la. Desde o seu lançamento, em 1998, o Google está alguns
passos à frente dos acontecimentos e diversifica sua área de atuação - com bons resultados em quase tudo o que faz. Nos últimos anos, a empresa apostou em telefonia, em satélites para transmissão rápida de dados e até em uma televisão com acesso à internet. Em outubro, o Google destinou mais de 200 milhões de dólares para o que pode ser a mais espetacular aposta desde sua fundação: uma rede de cabos submarinos com 560 quilômetros de extensão para transmitir energia eólica produzida em alto-mar. Batizada de Atlantic Wind
Connection, a rede vai abastecer 1,9 milhão de casas na costa leste dos Estados Unidos com 6000 megawatts de energia. Até 2016, quando deve começar a funcionar, o empreendimento terá consumido 5 milhões de dólares.

A ideia de usar cabos submarinos para a transmissão da energia gerada por
turbinas ins¬taladas a milhares de quilômetros da costa não é pioneira.
Parques eólicos como o Thanet, na Inglaterra, que ocupa uma área equivalente
a 4000 campos de futebol, já utilizam a tecnologia. A originalidade do
projeto bancado pelo Google é o sistema inteligente. Similar a uma espinha
dorsal, a rede do Google é composta de um cabo principal do qual saem
ramificações que se conectam a várias centrais transformadoras em águas
rasas. Essas centrais coletam a eletricidade gerada por diversas fazendas
eólicas. O total de energia captada é distribuído em pontos variados da rede
elétrica, em vez de em um só ponto, como acontece com a tecnologia
tradicional. "Se o projeto der certo, ele pode vir a ser uma solução para o
melhor aproveitamento das fazendas eólicas de alto-mar. Há regiões ainda não
exploradas por falta de tecnologia de transmissão", diz Eliane Fadigas, da
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

O flerte do Google com energias renováveis não é recente, mas só neste ano
se concretizou. Em maio, o grupo gastou 39 milhões de dólares na aquisição
de duas fazendas eólicas em Dakota do Norte. A opção de aplicar dinheiro na
força dos ventos não é à toa. De todas as alternativas para os combustíveis
fósseis, a eólica é a que mais tem atraído investidores. Segundo dados da
ONU, dos 119 bilhões de dólares investidos em fontes alternativas no ano
passado, 67 bilhões de dólares foram para a energia eólica. A atual
capacidade instalada mundial é de 121 gigawatts - duas vezes a de biomassa e
dez vezes a solar. A estimativa é que um quinto da energia produzida no
mundo em 2030 seja proveniente das fazendas de vento.


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