O governador do Pará, Simão Jatene, em reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta quinta-feira (2), em Brasília (DF), expôs os interesses do Estado ao criar a taxa de controle sobre a atividade mineral, apresentou o projeto que visa melhorar a compensação aos Estados exportadores de matéria prima e ressaltou a necessidade de o governo federal solucionar o problema que afeta as indústrias eletrointensivas, devido às altas taxas pagas pelo consumo de energia.
Sobre a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração a Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM), o governador ponderou que, em nenhum momento ela cria uma situação conflituosa com a legislação federal ou com as empresas mineradoras instaladas em território paraense. “Queremos apenas garantir maior participação do povo do Pará nos lucros por essa exploração”, afirmou Simão Jatene ao ministro.O governador informou que a tributação equivalente a R$ 6,00 por tonelada sobre a exploração mineral no Pará. Junto com a taxa, a Assembleia Legislativa do Pará também já aprovou o Cadastro Estadual de Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (CFRM).
Compensação - Simão Jatene expôs ainda a proposta do governo do Pará de criação de um fundo, visando uma maior compensação para o Estado pelos bens exportados. Segundo a proposta, cada movimento de exportação ou importação geraria um depósito no fundo, baseado em uma alíquota de 7%. Ao mesmo tempo, o governo federal também creditaria os mesmos 7%, baseado no saldo da balança comercial brasileira.
Segundo o governador, o objetivo do governo paraense é compensar melhor o Estado por suas exportações, em função das perdas decorrentes da Lei Kandir, que isenta de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) os produtos e serviços destinados à exportação. Desde que a lei entrou em vigor, o Pará já perdeu R$ 21,5 bilhões em arrecadação com a desoneração dos impostos. O ministro assumiu com o governador o compromisso de que sua equipe analisará o projeto.
Energia - Em todo o Brasil, as eletrointensivas – indústrias que usam muita energia elétrica para fabricação de alumínio, aço, petroquímicos, papel e celulose, entre outros produtos -, enfrentam dificuldades. O alto custo da energia elétrica, a invasão de produtos fabricados na China e os incentivos tributários concedidos por outros países estão deixando o Brasil em segundo plano na rota de investimentos de empresas multinacionais.
A siderúrgica Gerdau Usiba, instalada na Região Metropolitana de Salvador (BA), esteve paralisada por causa do alto custo da energia. A Valesul Alumínio, em Santa Cruz (RJ), também ficou fechada pelo mesmo motivo. A Novelis fechou fábrica em Aratu (BA), e existe a possibilidade de mudar para o Paraguai. No Pará, representantes da Albras, com sede em Barcarena (município da região do Tocantins), já procuraram o governo estadual relatando dificuldades por causa dos altos custos de produção.
Há um ano, o Ministério de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para avaliar a situação das eletrointensivas no país. Mas até hoje nenhum resultado foi apresentado. Na reunião com o ministro, o governador Simão Jatene frisou a necessidade de uma definição sobre o assunto, e defendeu uma atitude única e conjunta para resolver o problema de todas as eletrointensivas brasileiras que enfrentem o mesmo problema.
Do encontro em Brasília também participaram os secretários Especiais de Estado de Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento Sustentável, Sérgio Leão, e de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa, o secretário de Estado da Fazenda, José Tostes Neto, além do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA).
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