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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Projeto no Amazonas busca entender a reprodução do jacaré-açu

O jacaré-açu é o maior predador da América do sul, podendo atingir mais de cinco metros e pesar uma tonelada. A espécie é abundante em áreas de várzea do Brasil, no entanto, devido à ausência de informações sobre o status das populações ao longo de sua distribuição, é considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como dependente de programas de conservação. O jacaré-açu pode ser considerado um ícone da Amazônia, mas a ciência ainda conhece poucos aspectos sobre os hábitos reprodutivos da espécie.

Medição de jacaré-açu na Reserva Mamirauá_ Foto Igor J. Roberto.JPGNa Reserva De Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas, pesquisadores do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert) monitoraram mais de 400 ninhos de jacaré-açu durante toda a época de reprodução, que ocorre durante a temporada de seca na Amazônia - o trabalho iniciou em outubro do ano passado e está em fase de conclusão. O projeto é desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

12 ninhos, localizados em diferentes setores da Reserva, tiveram atenção especial dos pesquisadores. Os ninhos foram acompanhados de perto desde a postura dos ovos até o nascimento dos filhotes.

Nesses ninhos, após a eclosão dos filhotes, os cientistas coletaram amostras de sangue, que auxiliarão no estudo de proporção sexual dos jacarés recém-nascidos, avaliando as concentrações de hormônios sexuais; também foram recolhidas amostras de tecido dos filhotes e das fêmeas (mães que cuidavam dos ninhos) para análises de multipaternidade - com o objetivo de confirmar a hipótese de que as fêmeas de jacaré-açu cruzam com vários machos, gerando filhos de diferentes pais em um único ninho.

"Se várias fêmeas estão se reproduzindo com diferentes machos, isso tende a aumentar a variabilidade genética das ninhadas, o que é positivo para a espécie. Quanto maior for a diversidade genética em uma população, ela se manterá mais estável e saudável", explica o biólogo Igor Joventino Roberto, bolsista assistente de pesquisa do projeto Aquavert.

O acompanhamento também permitiu aos cientistas registrar o peso e as medidas dos filhotes e de fêmeas reprodutoras. Nos 12 ninhos com monitoramento intensivo foi possível registrar quanto tempo durou a incubação dos filhotes, além da observação das variações de temperatura (fator que determina o sexo dos jacarés) e características ambientais dos locais onde as fêmeas construíram os ninhos.


Augusto Rodrigues

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