O jacaré-açu é o maior predador da América do sul, podendo atingir mais de cinco metros e pesar uma tonelada. A espécie é abundante em áreas de várzea do Brasil, no entanto, devido à ausência de informações sobre o status das populações ao longo de sua distribuição, é considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como dependente de programas de conservação. O jacaré-açu pode ser considerado um ícone da Amazônia, mas a ciência ainda conhece poucos aspectos sobre os hábitos reprodutivos da espécie.
12 ninhos, localizados em diferentes setores da Reserva, tiveram atenção especial dos pesquisadores. Os ninhos foram acompanhados de perto desde a postura dos ovos até o nascimento dos filhotes.
Nesses ninhos, após a eclosão dos filhotes, os cientistas coletaram amostras de sangue, que auxiliarão no estudo de proporção sexual dos jacarés recém-nascidos, avaliando as concentrações de hormônios sexuais; também foram recolhidas amostras de tecido dos filhotes e das fêmeas (mães que cuidavam dos ninhos) para análises de multipaternidade - com o objetivo de confirmar a hipótese de que as fêmeas de jacaré-açu cruzam com vários machos, gerando filhos de diferentes pais em um único ninho.
"Se várias fêmeas estão se reproduzindo com diferentes machos, isso tende a aumentar a variabilidade genética das ninhadas, o que é positivo para a espécie. Quanto maior for a diversidade genética em uma população, ela se manterá mais estável e saudável", explica o biólogo Igor Joventino Roberto, bolsista assistente de pesquisa do projeto Aquavert.
O acompanhamento também permitiu aos cientistas registrar o peso e as medidas dos filhotes e de fêmeas reprodutoras. Nos 12 ninhos com monitoramento intensivo foi possível registrar quanto tempo durou a incubação dos filhotes, além da observação das variações de temperatura (fator que determina o sexo dos jacarés) e características ambientais dos locais onde as fêmeas construíram os ninhos.
Augusto Rodrigues
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