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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ciência e política divergem nos debates do clima

Quase simultaneamente, dois grandes eventos, um em Durban, e outro em São Francisco, Califórnia, discutiram o clima. O que se viu foi que os caminhos divergem, e que o progresso caminha em velocidades diferentes.

Estas duas conferências reuniram quase 36.000 mil pessoas para debater a mesma coisa: nosso planeta e nosso futuro. Mas as respostas foram muito diferentes. “Nós não podemos fingir que existe alguma ação em curso. A atmosfera não vai ficar esperando que os negociadores a consertem”, disse ao Daily Climate Lance Pierce, da organização ambiental Ceres, uma ONG de investidores e ambientalistas que trabalha com a mudança do clima.

Um grupo, de cientistas no encontro da Sociedade Americana de Geofísica (AGU), disse, em termos gerais: “A mudança está pior do que pensávamos”. Outro, de delegados na conferência das Nações Unidas, respondeu: “Vamos deixar para amanhã.”

Os valores nos dois eventos não são os mesmos. No caso da AGU, 20.000 cientistas se reúnem anualmente para discutir dados, na fronteira da ciência. A ONU congrega 16.000 delegados e outros para debater os textos das negociações, na tentativa de encontrar um campo comum. Descobertas nem ainda entendidas por políticos são velhas notícias para a AGU. E o ritual de negociações que freia os diplomatas permanece inescrutável para os cientistas.

Numa das palestas do encontro da AGU, Andrea Lloyd, uma bióloga do Middlebury College, de Vermont, soltou uma frase inquietante: “A morte é um bom marcador da mudança rápida”. Ela falava da floresta boreal no Alasca. O hemisfério norte está ficando mais quente e mais seco, e as florestas estão lutando. Lá, as árvores estão morrendo e sendo substituídas por gramas resistentes à seca, em resposta a mudanças relativamente pequenas na umidade. “Há um potencial para que pequenas quantidades de aquecimento produzam mudanças enormes”, disse ela. “Estamos agora em um planeta muito diferente do que conhecíamos antes. Nós vamos nos surpreender muito”, acrescentou Jonathan Foley, diretor do Instituto do Ambiente da Universidade de Minnesota.

As observações de Lloyd não são únicas. As descobertas reveladas no encontro da AGU, semana passada, sugerem que a alteração física está acontecendo mais rápido que o previsto por hipóteses e modelos científicos.

Quatro anos atrás, cientistas achavam que o Ártico não ficaria sem gelo no verão antes de 2100. Dois anos anos atrás, a estimativa era 2060. Neste ano, o que se pensa é que isso pode acontecer em 2030, ou possivelmente em 2020. Quando o gelo do Ártico derrete, vastos reservatórios de metano congelado sob o oceano começam a se misturar com a atmosfera. O gás metano têm um efeito estufa de 20 a 56 vezes maior que o CO2.

Nos Andes, a sabedoria convencional dizia que os residentes tinham de 20 a 40 anos para encontrar um substituto para o desaparecimento de geleiras, que servem como cruciais reservatórios de água na estação seca. Mas o tempo já chegou, afirma Michel Baraër, um pesquisador da Universidade McGill, em Montreal. “Nós estamos forçando o planeta de formas extremas”, disse Foley.

As notícias de Durban mostram que a ciência e a política operam em reinados diferentes. Dois anos atrás, um consórcio de cientistas mapeou nove “fronteiras globais” que, se cruzadas, podem mergulhar o planeta num estado vastamente diferente do que a humanidade jamais experimentou. A equipe concluiu que a sociedade já passou três delas: o comprometimento do ciclo de nitrogênio pela agricultura; da atmosfera, com a emissão de gases estufa, e da biodiversidade, com o crescimento populacional. Isto, disse Foley, torna o futuro desafiador e incerto.

Por Planeta Sustentável 

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