Desastres naturais não recomendam concentração de produção
Quase todos os hard drives do mundo são feitos em uma indústria tailandesa, e ela está debaixo da água. Nós vamos continuar encarando o desastre econômico como resultado de desastres naturais, ou as cadeias de suprimento globais têm de se adaptar a um mundo cada vez mais perigoso pela mudança do clima?, pergunta aFastCompany.
Analistas da iSuppli e da Gartner advertiram repetidas vezes sobre preços mais altos de hard drives no ano que vem (quanto o choque terá ecoado por toda a cadeia de fornecimento). E alertam sobre uma possível corrida para assegurar capacidade de armazenamento, entre Google, Facebook, Amazon e Apple.
“Certamente um dos impactos inevitáveis disto é que nunca mais vão concentrar tanto em tão poucos lugares”, diz John Monroe, da Gartner. Mas isso apenas levanta a questão de como a Tailândia tornou-se o elo mais frágil da cadeia, em primeiro lugar, e se a indústria da computação (ou qualquer indústria) ainda pode se dar ao luxo de se situar inteiramente no caminho de desastres relacionados ao clima.
“Foi apenas por acaso que a Western Digital tem a maioria de sua produção aqui”, afirma Fang Zhang, analista da iSuppli. Ela acrescenta que a indústria de hard drives tem sido o principal setor da indústria de tecnologia da Tailândia há décadas. “Não foi planejado”.
Mas nunca é. “Quando uma indústria escolhe um lugar, é provável que permaneça nele longo tempo”, notava há mais de um século o economista Alfred Marshall, ao explicar a economia de escala. A especialização crescente não apenas incentiva a produção global (como Adam Smith descreve em seu exemplo clássico da fábrica de alfinetes), mas também a vantagem competitiva de fabricantes locais. Os ganhos da especialização são limitados apenas pelo tamanho do mercado, e assim quando o mercado de hard drives da Tailândia se torna global, o que se vê é uma única fábrica da Wester Digital submersa provocar um terremoto em todo um setor.
Como se isso não fosse o bastante, uma onda de fusões como a compra do negócio de armazenamento de dados da Hitachi pela Western Digital e da Samsung pela Seagate, encolheram ainda mais o número de fábricas. “Os grandes fabricantes estão tipicamente em dois ou três lugares”, diz Zhang. “Há questões geopolíticas, custos de mão-de-obra e de transporte e manufatura”.
Eu seu livro End of the Line, the New America Foundations, de 2005, Barry C. Lynn concluiu que as economias de escala foram longe demais, e recomendou que as empresas dobrassem ou triplicassem fontes de componentes, de diversas empresas em países diferentes, para evitar choques como o da Western Digital. Ninguém ouviu.
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