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terça-feira, 13 de setembro de 2011

É preciso dar valor à natureza

O economista Carlos Eduardo Young propõe uma nova visão para demonstrar como a floresta intacta pode gerar mais riqueza econômica e ambiental que a exploração predatória. Para provar sua teoria, fez um estudo para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Parte dele está explicado neste artigo exclusivo.


A valoração econômica dos recursos naturais em áreas conservadas, como as da Floresta Amazônica, não é um fim em si mesma, mas um meio de melhorar a avaliação dos impactos ambientais de projetos alternativos. A valoração incorpora custos e benefícios que seriam ignorados caso a análise financeira convencional fosse adotada. Seu objetivo é avaliar qual opção gera maior benefício à população - e não maior lucro aos empreendedores -, sabendo-se que ganhos econômicos podem sempre causar perdas sociais e ambientais. Há que se considerar também que, se o projeto não for executado, a sociedade terá de abrir mão dos benefícios que seriam gerados por ele. Enfim, é preciso colocar na mesma balança todos os ganhos e as perdas associados ao projeto. Para isso, utiliza-se uma unidade de conta comum: os preços de mercado.

Os exercícios de valoração buscam quantificar as "externalidades" associadas ao projeto. Externalidade é um conceito econômico que aparece sempre que um ato de produção ou de consumo gera impactos positivos (benefícios) ou negativos (prejuízos) para a sociedade. A externalidade positiva ocorre quando há benefícios não apropriados pelos responsáveis do projeto. É o caso da melhoria das condições de movimentação de uma comunidade onde o trânsito foi otimizado por causa da instalação de um sistema de transporte coletivo. Já a externalidade negativa acontece na ocasião em que os custos da degradação ecológica não são pagos pelos responsáveis. Exemplo: a perda de qualidade de vida causada pela poluição de determinada atividade econômica.

O problema é que, na formulação convencional de projetos, os ganhos financeiros são destacados, enquanto que as externalidades negativas, sempre ignoradas. Como resultado, em vez de promover avanços sociais e econômicos, tais projetos acabam gerando perdas de qualidade de vida para a população. Infelizmente, o Brasil - sobretudo a Amazônia - é cenário de vários desses projetos desastrosos, nos quais, por ignorar fatores sociais ou ambientais, as metas pretendidas de desenvolvimento não são alcançadas. Há, inclusive, retrocesso às condições de vida de diversas comunidades.

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