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| A estrutura emaranhada da amiloide forma uma placa pegajosa |
Proteína associada a uma série de doenças, entre elas as condições neurológicas Alzheimer e Parkinson, está sendo estudada para dar origem a um novo material super-resistente.
A Amilóide é conhecida por formar densas massas no cérebro de pacientes, porém ela também tem papel estrutural importante em muitos seres vivos, de micro organismos a mamíferos As bactérias E. coli, por exemplo, produzem esse tipo de proteína para aderir à superfície de outras células, mesmo em ambientes líquidos. Além de grudentas, as amilóides são excepcionalmente fortes e ajudam a formar a estrutura celular.
Em um trabalho publicado domingo na Nature Nanotechnology, uma dupla de pesquisadores descreve como a estrutura dessa proteína é parecida à da seda – possui diversas camadas que lhe dão uma resistência incomum. Markus Buehler, do Massachusetts Institute of Technology, EUA, e Tuomas Knowles, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, reviram e analisaram todos os dados a respeitos das amiloides, estudando as diferentes adesões e forças que se pode obter ao utilizá-la em um novo material.
As proteínas poderiam ser usadas para produzir nanofios em circuitos minúsculos, em adesivos resistentes a solventes, como controle de orientação de polímeros em células solares orgânicas, como forma de entregar drogas em regiões específicas do organismo ou ainda produzindo estruturas rígidas, que sirvam como suporte para a regeneração de tecidos cerebrais (uma grande ironia, uma vez que ela está associada a várias doenças neurológicas).
As amiloides
As proteínas normalmente se dobram em formas bastante específicas, que determinam a maneira como elas interagem com outros materiais e organismos. As amiloides possuem a mesma estrutura básica de todas as proteínas e peptídeos (moléculas orgânicas parecidas com proteínas, mas mais curtas) porém são mais densas e concentradas – e não tão especificamente dobradas.
Elas formam aglomerados, pacotes que consistem de estruturas moleculares amarradas por ligações de hidrogênio. Basicamente, todas as proteínas podem formar estruturas similares aos amiloides, e a presença de uma única “semente” de amiloide pode induzir muitas das proteínas próximas a entrarem em colapso e formarem estruturas similares.
Enquanto proteínas normais são constantemente quebradas dentro das células, e suas partes “recicladas” para formar novas proteínas, as amiloides resistem a essa quebra. É justamente isso o que as torna tão resistente.

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