"Por que as pessoas choram ao me ver dançando?” O questionamento feito há alguns anos pela protagonista que parece voar no vídeo O Giro da Bailarina causou inquietação na professora de balé Keyla Ferrari. A pequena dançarina tinha apenas 10 anos, conforme ela mesma narra no documentário, mas pela perspicácia, insistia em suas interpretações: “Eles choram porque acham bonito o que faço? Ou é por pena”? Sem resposta, a bailarina Keyla, que decidiu abrir mão de seus próprios giros para ensinar pessoas que ela mesma queria ver extrapolar os limites de uma cadeira de rodas, carregou durante anos as perguntas de sua aluna até que decidiu respondê-las numa pesquisa de mestrado.
No trabalho, no qual estudou a relação do dançarino com deficiência e seu público, por meio de entrevistas, ela descobriu que os dançarinos com deficiência física motora vivenciam seus corpos como uma obra de arte, partindo de suas características físicas diferenciadas e nas relações com a cadeira de rodas encontrando uma identidade própria de movimentos nas coreografias interpretadas. Em outras palavras, sentem-se artistas mais do que alguém que parece estar superando limitações. “Eles querem ser vistos como artistas em cena e não gostariam que a deficiência fosse enxergada antes da arte”, revela.

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