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Globish é uma ferramenta de comunicação criada para descomplicar o inglês tradicional. |
De acordo com o ranking sobre proficiência em língua inglesa, organizado pela rede de ensino de idiomas Education First (EF), em 44 países, o Brasil está em 31º lugar, atrás de países como Argentina e El Salvador. A pesquisa foi realizada com 2 milhões de pessoas, com idades entre 16 e 30 anos.
Para Maíra Lot Vieira, coordenadora editorial da Edipro, o inglês falado pela maioria dos estrangeiros em todo mundo, longe de ser proficiente, transformou-se num dialeto simplificado, fácil de ser comunicado e de se entender. “É um inglês universal, é o globish”, propõe. A editora acaba de publicar, pelo selo Bazar Editorial, um livro que explica o fenômeno: “Globish para o Mundo” foi escrito por Jean-Paul Nerrière e David Hon, estudiosos do assunto.
Maíra conta que, ao observar executivos, provenientes de outras línguas, falando em inglês, Nerrière descobriu que esses se comunicavam muito mais facilmente com clientes coreanos e japoneses do que os americanos e britânicos. “Ele concluiu que o idioma falado pelos não nativos era uma versão simplificada do inglês, sem as estruturas gramaticais, mas compreensível tanto para os nascidos como para os não nascidos na língua inglesa”, relata a editora.
Segundo o criador do termo globish, o inglês tradicional, na verdade, seria usado somente pelos praticantes puristas ou pelos nativos do idioma. “Os estrangeiros usam um inglês adaptado, uma vertente que Jean-Paul Nerrrière batizou de globish, o inglês global”, diz Maíra Lot. Ela relata que o autor francês, então, decodificou o termo em vários livros. Neles, publicou 1.500 verbetes da língua inglesa, fundamentais para uma boa comunicação em escala mundial, com os quais é possível discutir os mais variados assuntos, sem ter que usar um vasto vocabulário, expressões idiomáticas ou phrasal verbs.
“O mais incrível é que passamos anos nas escolas de inglês e sem perceber que falamos globish o tempo todo! Porque globish é inglês correto, só que mais descomplicado, sem a bagagem da cultura inglesa”, revela Maíra. “De agora em diante, quando formos colocar no currículo ‘inglês fluente’ temos que pensar duas vezes e incluirmos fluente”, reflete.
Por sua simplicidade, o uso do natural do globish entre os povos continua a crescer como uma ferramenta da compreensão internacional, difundindo pelo globo o inglês sem anglicismos.
Globish não tem a ambição de tornar-se uma língua oficial, é apenas uma derivação do inglês tradicional, um tipo de ‘inglês light’ que pode ser falado em todo lugar”, recomenda Maíra.
Ela lembra que o dialeto já é muito difundido no mundo dos negócios, em hotéis, eventos, aeroportos e, principlamente, na Internet. "Um executivo, por exemplo, precisa de um meio de comunicação que seja prático, de fácil aprendizado, mas que, ao mesmo tempo, permita fazer negócios com outros países, usando uma interação eficiente, sem grandes dificuldades”, aconselha a coordenadora da Edipro.
Maíra resolveu editar “Globish para o Mundo”, depois de a edição japonesa esgotar-se em uma semana durante o terremoto de março deste ano. “O livro virou febre entre japoneses, coreanos e chineses”, comemora. Ele traz a lista das 1.500 palavras usadas em legítimo globish e descarta outras, que são desnecessárias para o bom entendimento. “Por exemplo, você não vai usar nephew (sobrinho), cuja pronúncia é muito complicada. Mas você vai dizer the son of my brother (o filho do meu irmão). Com a substituição, você não irá perder nada em termos de compreensão. É uma forma correta, porém, simplificada de dizer a mesma coisa e ser compreendido por todos - nativos e não nativos. Isto significa economia de tempo e dinheiro”, avalia.

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