Em meados de 2009, como um projeto pessoal, a cineasta Emily James capturou em vídeo as manifestações realizadas por ativistas do meio ambiente ao redor da Grã-Bretanha. Tal ação resultou em aproximadamente um ano de ações documentadas, tendo como ponto de partida uma reunião do G-20, na cidade de Londres, na Inglaterra.
Com mais de 300 horas de registros, James estipulou a duração de seu documentário, intitulado “Just Do It” (Apenas Faça) em 75 minutos, e precisava de cerca de £20.000. Para arrecadar esta quantia, resolveu criar um site divulgando o projeto, e apostou no sistema de doações dos visitantes. O objetivo era arrecadar a quantia de 20 mil libras num intervalo de 20 dias, e para isso foram criadas diversas formas de fomento ao projeto, bem como incentivos para tais doações. Por exemplo, para as doações de £10 era disponibilizado o link para download do filme antes de seu lançamento oficial. Quem contribuísse com £75 receberia uma cópia do documentário em DVD e um par de ingressos para a première do documentário, dentre outros incentivos.
Toda esta mobilização gerou muita repercussão na mídia inglesa. Com direito a entrevista para o jornal britânico Guardian, e com o boca-a-boca gerado nas redes sociais, o objetivo foi alcançado e superado. Ao final dos 20 dias, Emily James arrecadou cerca de £21.400 para a produção de seu documentário.
Este foi um dos primeiros casos notórios de crowdfunding, ou financiamento coletivo, que tem como principal objetivo a obtenção de capital para a realização de iniciativas de interesse coletivo através da reunião de diversas fontes de financiamento. Em geral estas fontes são obtidas de doações de pessoas físicas interessadas no projeto. Mobilizações na Internet são o principal alvo do crowdfunding. Arrecadação de fundos para artistas, iniciativas de jornalismo cidadão, pequenos negócios, campanhas políticas, filantropia e ajuda a regiões vítimas de desastres naturais são algumas das principais ações subsidiadas pelo público.
Tal iniciativa começou a receber atenção no país para o financiamento de concertos musicais, como foi o caso do site Queremos, que devido à maciça arrecadação de fãs espalhados por todo o Brasil, está tentando organizar a primeira edição do “Eu Quero Festival”, trazendo bandas internacionais como Beady Eye, Broken Social Scene, Toro Y Moi dentre outras. O objetivo do Queremos é oferecer atrações de qualidade para o grande público, sem a necessidade de pagar quantias exorbitantes para assistir aos seus ídolos.
Outro site conhecido é o Catarse.me, que não se prende somente ao financiamento de espetáculos musicais, e abrange o financiamento de diversas iniciativas de cunho cultural. Gravação de discos e singles, produção de espetáculos teatrais e documentários são apenas alguns dos projetos apoiados pelos criadores do site, que trouxe para o país o modelo de colaborativismo aplicado pelo Kickstarter, site americano que é considerado um dos pioneiros na área.
Todos estes sites adotam a política de incentivos, ou seja, dependendo do valor de sua doação, você é presenteado com itens e informações exclusivas. Idealizado por dois estudantes de administração de empresas, o Catarse arrecadou quase R$ 15.000 em um mês de funcionamento, quantia esta destinada ao financiamento de nove projetos. A meta dos idealizadores do site é alcançar o número de 600 projetos apoiados, até o fim deste ano.
Mais do que um simples mecanismo de “doações” para financiamento, o crowdfunding é uma excelente forma de pequenos empreendedores concretizarem seus projetos, sem a necessidade de grandes investidores ou financiamentos, que normalmente ignoram iniciativas defendidas por estes sites. Caso a meta não seja alcançada, todo o dinheiro é devolvido integralmente para os vários financiadores. Todos os projetos que atingem a meta financeira estipulada pagam uma comissão de 5% ao site que os hospedou. Uma quantia justa para projetos que, em muitas vezes, ficariam trancados na gaveta da escrivaninha.

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