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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Renováveis ganham terreno ao petróleo até 2030

A equação fundamental da energia é simples: mais população com maior rendimento significa que a produção e o consumo vão subir. Segundo a BP, o consumo primário vai aumentar 40% até 2030, impulsionado, quase em exclusivo, pelas economias emergentes. Pela primeira vez, os combustíveis não fósseis serão a principal fonte de crescimento. No entanto, as emissões atingem o seu pico em 2020, 20% acima dos valores de 2005 e superiores às metas internacionais.

O crescimento energético mundial durante os próximos 20 anos deverá ser dominado por economias emergentes como a China, Índia, Rússia e Brasil, enquanto as melhorias operadas no campo da eficiência energética vão acelerar.

De acordo com o cenário base definido pela petrolífera britânica, correspondente à projecção mais provável, o consumo energético primário deverá aumentar quase 40% nas duas décadas que agora se iniciam, com uma fatia de 93% desta expansão a ter origem em países exteriores à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Desta forma, as nações não pertencentes à organização vão incrementar rapidamente a sua quota da procura por energia à escala global, de pouco mais de metade, hoje, para dois terços em 2030. Acresce que, durante o mesmo período, a intensidade energética, uma medida chave da utilização de energia por unidade de produção económica, irá melhorar a nível mundial, impulsionada pelos ganhos de eficiência nas mesmas economias.

DIVERSIFICAÇÃO DO MIX ENERGÉTICO

A multiplicação de fontes de energia vai acentuar-se, com os combustíveis não fósseis, sobretudo a energia nuclear, hidráulica e renovável a assumirem, em conjunto, o papel de principal fonte de crescimento pela primeira vez na história da humanidade. Neste quadro, entre 2010 e 2030, o contributo das energias renováveis (solar, eólica, geotérmica e biocombustíveis) para o crescimento energético deve avançar de 5% para o patamar dos 18%.

Por seu lado, o gás natural será o combustível fóssil de mais rápido crescimento, enquanto o carvão e o petróleo devem perder quota de mercado, com a totalidade dos combustíveis fósseis a apresentarem taxas de expansão mais reduzidas. Neste sentido, a contribuição desta classe de combustíveis para o incremento do consumo energético primário deve recuar de 83% para a fasquia dos 64%.

Recorde-se que a procura petrolífera no seio da OCDE atingiu o seu pico em 2005 e, em 2030, deverá regressar para níveis próximos dos apurados em 1990. Quanto aos biocombustíveis, vão representar 9% dos combustíveis utilizados no sector dos transportes ao redor do globo.

Segundo as projecções da BP, a procura energética primária mundial vai registar um crescimento médio anual de 1,7% entre 2010 e 2030, embora esta tendência de expansão deva desacelerar ligeiramente depois de 2020. Em particular, o consumo de energia fora do espaço da OCDE será 68% superior ao actual em 2030, com um crescimento médio de 2,6% por ano, correspondendo a 93% do crescimento energético global. Em contraste, o crescimento da OCDE vai limitar-se a uma média anual de 0,3% durante os próximos 20 anos. Acresce que, a partir de 2020, o consumo per capita no espaço de influência da OCDE vai apresentar uma tendência decrescente de menos 0,2 pontos percentuais por ano.

TRANSPORTES ABRANDAM

A subida da utilização de energia nos transportes vai abrandar, penalizada pela quebra registada na OCDE. Como referido, a procura total de petróleo e outros combustíveis líquidos na região alcançou o seu ponto máximo em 2005 e vai regressar aos valores de 1990 em 2030. Perto do final do período em análise, a procura de carvão no mercado chinês deixará de aumentar, com o gigante asiático a transformar-se no maior consumidor mundial de petróleo.

OPEP GANHA PESO...

A quota da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) na produção global de crude vai avançar para a marca dos 46%, um nível que não é observado desde o ano de 1977. Em simultâneo, a dependência das importações de petróleo e gás natural nos EUA vai cair para níveis inéditos desde a década de 90 do século passado, devido à melhoria da eficiência e ao incremento da quota de utilização de biocombustíveis na maior economia mundial. A taxa de crescimento do consumo global sofrerá ainda o impacto do aumento dos preços do barril de crude, contabilizado nos últimos anos, bem como da redução gradual dos subsídios nos países importadores de petróleo.

... MAS CRUDE PERDE PROTAGONISMO

O mix de combustíveis altera-se com o decorrer do tempo, reflectindo o longo período de vida dos activos. Neste âmbito, o petróleo, excluindo os biocombustíveis, vai crescer lentamente, a uma cadência de 0,6% por ano, enquanto o gás natural deverá beneficiar de uma taxa de expansão mais de três vezes superior à projectada para o crude, na casa dos 2,1% anuais. Por seu lado, o carvão vai aumentar em 1,2 pontos percentuais por ano e, em 2030, deve fornecer um volume de energia equiparável ao do petróleo, excluindo os biocombustíveis. Sublinhe-se ainda que o reforço das medidas de combate às emissões poluentes nos países da OCDE arrisca-se a ser mais do que compensado pelo crescimento esperado para as economias emergentes.

A energia eólica e solar, os biocombustíveis e outras fontes energéticas renováveis vão continuar a crescer fortemente, elevando a sua quota na energia primária dos actuais menos de 2% para os mais de 6% projectados para 2030. Em concreto, os biocombustíveis vão fornecer 9% dos combustíveis no sector dos transportes e as energias nuclear e hidráulica vão crescer de forma consistente e conquistar quota de mercado no consumo energético total. Neste ponto, cumpre referir que a projecção da BP resulta de análises estatísticas anteriores ao acidente na central nuclear japonesa de Fukushima, que motivou um recuo da aposta na energia atómica em países como a Alemanha.

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