Em Belo Horizonte, um grupo teve uma ideia nada convencional para chamar atenção dos moradores para as questões ambientais: criaram uma empresa fictícia de venda de árvores. A prefeitura da cidade mineira quis até processar a companhia inexistente.
Há pouco mais de um mês, foram colocadas, por toda a cidade de Belo Horizonte, placas anunciando a venda de árvores centenárias. A empresa Vecana, nome dado por um grupo conhecido como Ajuricaba - que fez a ação como forma de contestação, seria a vendedora, porém ela nunca existiu.
Se o objetivo era chamar atenção da sociedade local, seguramente conseguiram. A ação gerou tanta polêmica que as mensagens foram removidas e até as autoridades foram acionadas.
A “iniciativa” de colocar árvores à venda partiu do coletivo artístico que fez até um site voltado, teoricamente, para o comércio de madeiras tropicais com o slogan “Desmatando com sustentabilidade”. A ideia era, realmente, motivar denúncias e indignação. A repercussão já era esperada pelo grupo, o que os surpreendeu foi a proporção que o caso tomou, incluindo polícia, prefeitura e multas.
Acredita-se que o grupo seja composto por jovens ligados à escola de arte de Belo Horizonte, porém não se tem certeza porque preferiram não se identificar. Apenas concederam entrevista ao portal “Divirta-se” associado do jornal “Estado de Minas” por e-mail, sob condição de que não fossem citados nomes.
Segundo o grupo, houve muita polêmica, no entanto “faltou reflexão mais profunda”. Parabenizaram a prefeitura pela rápida ação, apesar de afirmarem que ela só agiu porque os fatos tornaram-se polêmicos. Na entrevista alfinetaram a imprensa.
“A mídia focou na polêmica das placas e da ação em si, das multas e retaliações dirigidas à empresa ficcional. Não questionou os discursos absurdos da Vecana e sua relação com o contexto de outras políticas obscuras, atuais e reais, como a aprovação da Usina de Belo Monte e a votação do novo Código Florestal. O bacana é que essas discussões ocorreram com certa potência na web e nas redes sociais.”
O trabalho da Vecana, segundo o grupo, ainda irá além das questões ambientais. “Nada impede que futuramente novos trabalhos abordem outras questões ligadas ao ser humano e sua condição no mundo”, afirmaram na entrevista.
O projeto que simula a compra de todas as árvores urbanas e residenciais das principais cidades brasileiras terminou com admiração de uns e com a desaprovação de outros. Muitos consideraram ofensiva a intervenção urbana.
Para a empresa fictícia, a situação que forjaram pode configurar uma realidade possível “em que empresas sem limites e pudor negociam sem escrúpulos os nossos bens naturais, sem se preocupar com sua preservação ou sua continuidade, visando o lucro a qualquer custo”.

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