Entrevista com o cientista político Sergio Abranches, que fala sobre clima, empresas, greenwashing e consumo ético
Abranches assegura que o custo para empresas migrarem para a economia e baixo carbono mais do que se paga
Ávido por informação, Sérgio Abranches está sempre olhando as novidades nas livrarias e bancas de jornais. Mas é bom que ninguém lhe ofereça uma sacola plástica para carregar o material. Ele, gentilmente, recusa, guarda livros, revistas e jornais na mochila e ainda tenta conquistar adeptos para atitudes sustentáveis no dia a dia. Este é apenas um pequeno exemplo de como a sustentabilidade faz parte do DNA deste cientista político, jornalista de formação, um dos principais estudiosos hoje no Brasil do fenômeno cultural e político provocado pela migração do modelo de desenvolvimento baseado na energia fóssil para a economia de baixo carbono, com tecnologias limpas e renováveis.
Comentarista da Rádio CBN, Abranches edita o portal Ecopolítica em português e inglês (www.ecopolitica.com.br), além de dar palestras e consultoria para empresas. Também é colaborador do blog The Great Energy Challenge (parceria entre o Planet Forward e a National Geographic). Publicou ainda o livro Copenhague: Antes e Depois, sobre a política global do clima e se orgulha de ter ajudado a formar gerações de jovens jornalistas de meio ambiente. Nesta entrevista ele fala sobre clima, empresas, greenwashing e consumo ético, entre outros temas.
M&M ›› Qual a sua visão da sustentabilidade hoje e do estágio da transição do antigo modelo de desenvolvimento econômico para a chamada economia de baixo carbono (baseada em soluções renováveis)?
Sergio Abranches ›› Acompanho este tema desde a Rio 92 (conferência das Nações Unidas sobre o clima realizada no Rio de Janeiro, em 1992). Percebi que a questão climática faz parte de um conjunto de vetores que está transformando radicalmente o mundo e é a única sobre a qual não temos nenhum controle.
Não que tenhamos total controle sobre as demais, mas em todas as outras fomos criando novos ramos da ciência, inovando, o que está provocando uma revolução muito profunda que está alterando toda a nossa maneira de produzir, consumir, de comprar e de nos relacionarmos. É uma revolução mais dramática do que a da Idade Média para o Renascimento, com componente forte da comunicação, a partir da invenção do tipo móvel, por Gutenberg. No caso do clima, a revolução é desencadeada pela força da natureza, pois aceleramos o ciclo do aquecimento de forma brutal. Isso nos impõe o desafio ao qual teremos que nos adaptar e aprender a mitigar os efeitos. E transforma-se em um eixo poderoso de todo esforço no sentido tecnológico e econômico. Portanto, a economia e a política do século 21 serão crescentemente determinadas pela questão climática. Ainda não o são porque há uma disparidade entre a consciência coletiva sobre esta questão e a certeza científica sobre ela. Mas o prazo está se encurtando bastante e estamos começando a ver concretamente os efeitos das mudanças climáticas.
M&M ›› Como os países estão lidando com essa questão?
Abranches ›› A economia vai mais rápido do que a política. Basta ver o que a China está fazendo em investimentos em energia renovável, a Europa também. Nos Estados Unidos, boa parte do programa de recuperação econômica do Barack Obama foi voltado para energia renovável. Na Coreia, isso foi 35% do pacote, o que significa que o mercado já descobriu que como este tema é relevante. Hoje, há um entrechoque entre o mercado e as forças do status quo, envolvendo todo um conjunto de indústrias, não só a petrolífera, mas também a siderúrgica e outras que não têm futuro neste novo desenho.
Em alguns casos há contradições, como a British Petroleum e a General Eletric, que têm investimentos muito fortes na economia de baixo carbono, mas, ao mesmo tempo, defendem os interesses da manutenção do status quo, por conta de investimentos em energia fóssil. Estas empresas vivem este choque internamente. Também o setor automobilístico: há esta explosão de produção, mas todas as montadoras também estão lançando carros híbridos ou elétricos.
M&M ›› Esta transição do velho modelo para o novo é complicada. Será possível fazê-la?
Abranches ›› Sem dúvida. É complicado, porque haverá ruptura em algum momento. Vamos assistir a várias rupturas, a maior parte delas inesperadas. Esse processo de transformação revolucionário envolve muita mudança científica, tecnológica, sócioeconômica e política. Vai-se acelerando a exigência de forças novas em todos esses setores e isso produz uma ebulição que não é linear. Evidentemente, haverá explosões inesperadas. O mercado financeiro chama isso de black swan (cisne negro), algo que não se consegue prever. Um bom exemplo disso é o que está acontecendo, neste momento, nesta conjuntura.
O mundo estava começando a se recuperar da crise do subprime e de repente explode uma manifestação de insatisfação no Egito. Isso se junta com um dos vetores dessa transformação, a tecnologia de comunicação móvel digital. Houve o contágio, este contágio se espalha por toda aquela área. Chega à Líbia, mexe com a expectativa de previsão de petróleo leve, que é importante para as refinarias, e aí aumenta o preço do petróleo, de novo. Há um retorno de instabilidade geopolítica, começa a transformar uma área do mundo que tinha baixo nível de mudanças, com ditaduras de décadas.
De repente, aquilo tudo pega fogo, surgem dúvidas a respeito da instabilidade do Irã, da Síria. Neste meio tempo acontecem um terremoto e um tsunami devastadores que interrompem várias cadeias de suprimentos globais, as quais o Japão participa com muita força. E aí, a situação agrava-se com um acidente nuclear, que coloca em discussão, de novo, o problema de segurança nuclear. Justo quando vários países estavam vendo a energia nuclear como uma alternativa de transição mais rápida para a economia de baixo carbono. Soma-se a crise fiscal na Europa, que provoca aumento de preço do petróleo. Basta olhar a instabilidade geopolítica, crise na Europa e dizer: ”Caramba não vai ter a recuperação que a gente estava imaginando!”. Aí os agentes econômicos todos se movem e é quando se olha o quê que está “bombando” – a área de tecnologias renováveis, das tecnologias limpas etc.
M&M ›› Da crise poderá surgir uma oportunidade para esta transição? A economia “verde” pode ser o caminho?
Abranches ›› A economia verde, do baixo carbono, irá avançar crescentemente. Mas há novas variáveis imprevisíveis. É mais ou menos como o que está acontecendo no Oriente Médio, no norte da África. Daria para pensar: “Agora, a bola da vez é a Líbia”, mas, na verdade, acontece na Costa do Marfim. Ou seja, não se consegue ter mira muito precisa porque há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Então, o pensamento é: “Vai ser a nanotecnologia que vai estourar”. Afinal, esta ciência está avançando de forma brutal e opera em todas as dimensões – há nanotecnologia para a cirurgia, para a produção de medicamentos, energia solar, enfim, para tudo. Portanto, a nanotecnologia será a primeira grande ruptura conhecida da tecnologia? Ou será a genômica? Uma coisa é certa: as ciências que vão dominar o mundo do século 21 não são as mesmas ciências que dominaram o mundo do século 20.
M&M ›› E quais serão?
Abranches ›› Este é um mundo mais das ciências softs, da biociência, da biofísica, da bioquímica, da neociência, que será fundamental na robótica. Por outro lado, tem uma característica que o século 20 mostrou de forma muito incipiente e que agora é dominante, que é o fato destas ciências e técnicas todas convergirem. É um processo de convergência inédito, o grau de transdisciplinaridade que existe hoje é fenomenal. Portanto, aquele miolo das ciências vai deixando de ser tão importante e a fronteira entre elas passa a ser realmente a área de grande evolução e progresso: a tecnologia digital, que entra em tudo isso.
A neurociência usa muito a imagem digital; a tecnologia digital nas comunicações permite um grau de rapidez e, por outro lado, de cooperação, de interatividade, que também é fundamental para esta transdisciplinaridade. Nada vai ser incremental tudo vai ser por saltos. Muita coisa será inesperada. Quem chutar alguma tem enorme chance de errar no alvo. O que sabemos é que o movimento é inexorável.
M&M ›› Alguns estudiosos dizem que o Brasil tem chances de liderar este processo de mudança, uma vez que está avançado em biocombustíveis, energia limpa etc. Qual a sua avaliação?
Abranches ›› O Brasil vive hoje uma das piores contradições nesse contexto. Há uma elite dominante no governo, em partes importantes da economia e da representação empresarial, que têm uma visão de desenvolvimento de meados do século passado. Por conta disso, tem dois problemas na capacidade de olhar estrategicamente o País, tanto no governo quanto nas empresas: olham com visão de curto prazo, que herdamos do período hiperinflacionário. Por outro lado, olham o desenvolvimento do ponto-de-vista de uma estrutura industrial que está morrendo, porque não conseguem enxergar as oportunidades imensas que o país tem. A única oportunidade realmente grande que eles enxergaram está cheia de contradições, que é o biocombustível.
M&M ›› Que contradições seriam essas?
Abranches ›› O investimento no biocombustível de segunda geração é baixo e todo mundo sabe que o combustível de cultura não é capaz de ocupar o espaço no mundo de combustíveis do século 21. Para ter produtividade é preciso passar para a linha da segunda geração, a biotecnológica (que é celulósica) e outras, ainda em pesquisa.
O Brasil, como é o líder em biocombustível de primeira geração, tinha que estar aplicando uma partida importante da receita de biocombustível de primeira geração na capacitação para ser um grande player em relação à segunda geração. Além disso, há a questão da política com relação ao etanol. Neste momento, por exemplo, estamos vivendo isso. Temos um extraordinário sucesso na produção e desenvolvimento de motor flex e somos o único que tem bomba de etanol em todos os postos do País.
Mas o motorista do carro flex que faz cálculo da relação custo/benefício acaba desestimulado, porque o governo mantém o preço da gasolina artificialmente baixo e o do álcool subiu por causa das condições de mercado. Portanto, se não há uma política efetiva de transição do biocombustível, para o etanol, acaba se criando uma contradição que prejudica o nosso melhor caso de sucesso.
M&M ›› Neste cenário, o Brasil tem outras vantagens competitivas?
Abranches ›› Sim. Outra área em que o Brasil tem muito potencial de estar na ponta é na área da genômica. Somos um dos participantes ativos do projeto genoma e temos muita capacitação, tanto pública quanto privada, na área de biotecnologia. Está sendo formado um grande parque biotecnológico, inclusive seria uma das pilastras de um novo modelo de desenvolvimento da Amazônia, que permitiria ter uma economia de alto valor agregado.
O Brasil também tem boa base em nanotecnologia – temos uma boa equipe científica na área. O Brasil tem uma neurociência de ponta, mas precisa de outra visão, de outro investimento de sentido tecnológico. A outra área que há enorme oportunidade é na energia solar e eólica. Temos áreas que hoje são subdesenvolvidas por causa das suas condições hipoclimáticas. O agreste, no Nordeste, por exemplo, poderia se transformar em grande produtor de energia solar.
Na eólica, o paradigma energético brasileiro considera esta fonte pequena e cara, e já vimos que, na verdade, não é assim. A Alemanha está produzindo uma quantidade importante de gigawatts, aliás, a Europa toda, os Estados Unidos e a China. O Brasil tem um potencial eólico extraordinário, inclusive porque uma parte dele ainda nem foi medido. O País poderia se transformar num competidor de ponta na área de energia eólica, e para isso deveríamos estar investindo em incorporá-la no centro da política energética brasileira – e não deixá-la como um programa alternativo. A mesma coisa para a energia solar.
M&M ›› No caso da publicidade e do marketing com mensagens de sobre sustentabilidade: ainda predomina o greenwashing ou existem campanhas realmente consistentes?
Abranches ›› Acho que o greenwashing ainda predomina. Mas há hoje três grupos de empresas: o maior ainda faz grenwashing. Há um intermediário que está fazendo coisas do portão para dentro, mas não tem a visão necessária de que não existem empresas isoladamente sustentáveis, quer dizer, a empresa só é sustentável se todas as suas cadeias forem sustentáveis. Essas empresas estão fazendo ações isoladas, sem olhar para a cadeia e muitas à espera que o governo tome a iniciativa, porque o empresário espera a iniciativa do governo, não toma ações privadas, como em outros mercados mais desenvolvidos. E há um grupo minoritário que já está olhando para suas cadeias e sabe que a sustentabilidade é da supply chain, da rede de suprimentos, e não da empresa isoladamente.
M&M ›› Quais são essas empresas?
Abranches ›› A maior parte deste grupo é formada por empresas globalizadas, que já estão avançadas globalmente na questão da sustentabilidade e têm que contribuir para as metas dos relatórios de sustentabilidade, que são consolidados. Ela precisa ter um nível de conformidade com os padrões que o grupo está utilizando nos mercados mais desenvolvidos, porque precisa ajudar a reduzir a pegada de carbono global da companhia. Mas há algumas empresas nacionais que estão vendo assim também. Acho que essa é a forma mais inteligente de se fazer a coisa.
M&M ›› Dê alguns exemplos.
Abranches ›› O Walmart é um caso de empresa globalizada que passa metas agressivas. Se a unidade do Brasil não seguir estas metas, mancha o relatório global e gera problemas com investidores, com a gestão geral da empresa etc. O primeiro que vai, que dá exemplo, tem uma liderança competitiva no mercado brutal, puxando os outros. No setor de supermercados, os grandes grupos brasileiros já perceberam. Se o Walmart e o Carrefour estão fazendo, aí, obviamente, o Pão de Açúcar também irá fazer. Esta é uma área na qual as metas têm sido muito agressivas e que vai ser centro importante na implementação da legislação de resíduos sólidos.
O supermercado é uma excelente ponte de captação para fazer a logística reversa, para receber de volta não só as embalagens e os produtos que estas redes vendem, mas até os que não vendem. A Natura não é um exemplo completo de sustentabilidade, mas tem feito esforços importantes, inclusive examinando na sua rede toda onde é que são os pontos de insustentabilidade para resolver isso. O Boticário também tem feito esforços nesta área. Existem alguns setores em que essas coisas vão bem, como na indústria de bebidas, na qual a questão da água é fundamental. No caso da água é um contraste: grande consumidores, no Brasil, economizam e outras áreas continuam contaminando, como a indústria química do Rio Grande do Sul, uma tragédia. O Brasil é muito desequilibrado e acho que isso tem a ver com o fato de que o governo, a política, não tem orientação para a sustentabilidade.
M&M ›› O governo teria, portanto, papel relevante?
Abranches ›› Exatamente. Na área energética, aumentou-se absurdamente, nos últimos anos, a participação do carbono na matriz. Completamente desnecessário. As sinalizações do governo, que é um ator dominante no mercado brasileiro, são muito ruins. Elas são negativas em várias áreas. Várias empresas no mundo já descobriram: a sustentabilidade é grátis. Ela mais do que se paga, ela dá lucro. Então tem que parar de olhar o esforço da sustentabilidade como se fosse gasto. É um dos investimentos mais rentáveis que tem hoje do mundo.
M&M ›› O consumidor está participando ativamente deste processo?
Abranches ›› Já existe uma minoria de consumidores no Brasil que é consciente, que realmente olham para a sustentabilidade. Mas há o problema do preço. Hoje, o consumidor consciente é aquele insensível ao preço.
Quer dizer, ele consome o valor e paga o sobrepreço para poder ficar tranquilo a respeito da sua própria pegada. Mas é uma minoria. Há um outro grupo de consumidores que chega a ser significativo, mais de um terço do mercado consumidor brasileiro, que será sustentável se tiver preço. E o resto realmente não tem consciência suficiente.
M&M ›› Muitos ainda usam sacolas plásticas.
Abranches ›› Outro dia, fomos a um supermercado no Leblon (Zona Sul do Rio) e éramos os únicos que estávamos carregando nossas próprias sacolas de pano, as ecobags. A moça do caixa disse: “Puxa, vocês são os únicos, seria muito melhor que todo mundo usasse.” Em vários países, houve desincentivo para continuar com determinadas práticas. Isso é responsabilidade das empresas e, em parte, do governo. Preferia que não houvesse uma lei proibindo (o uso de sacolas plásticas), que as empresas efetivamente adotassem práticas sustentáveis. Se várias empresas participassem deste movimento, não seria preciso tanta regulação. Sempre acho que a autorregulação funciona melhor, porque parte de uma convicção da empresa ou das pessoas.
M&M ›› Ainda com relação ao greenwashing, nas campanhas publicitárias brasileiras ainda há muito disso ou houve avanços?
Abranches ›› Acho que está fechando muito essa consciência, e ela em parte tem haver com o fato de a publicidade brasileira estar, finalmente, descobrindo o mundo digital. A publicidade é grande consumidora de tecnologia da informação (TI), e existe um movimento crescente de consciência de que a TI tem que ser verde. A tecnologia de informação, como a infraestrutura do mundo digital, tem que ser sustentável, porque se não for não adianta eu ser sustentável e usar uma infraestrutura digital não-sustentável. Isso acabou entrando também no DNA. Além disso, está ficando claro que o primeiro golpe que a empresa sofre por não ser sustentável é o de reputação, de imagem. E esse é o negócio da publicidade. Portanto, um publicitário responsável tem que dizer para o seu cliente que não adianta fazer uma publicidade verde se ele não é verde.
Senão vai pagar o preço e cometer infração, no sentido de credibilidade. Para ter credibilidade é preciso ter práticas compatíveis com a mensagem. Também acredito que faz diferença ter uma força de trabalho de criadores jovens. As gerações mais jovens estão muito mais incluídas na cultura da sustentabilidade do que as outras.
M&M ›› Você é otimista no médio e longo prazo?
Abranches ›› Sou muito otimista no médio para longo prazo e pessimista no curto prazo. Não tenho a menor dúvida que vamos conseguir mitigar a mudança climática e até conseguir ficar abaixo de 2°C. Mas acredito que, como estamos muito atrasados nesse processo, perdendo muito tempo esperando que a Convenção do Clima produzisse um conjunto, um tratado que obrigasse todo mundo a obedecer alguns parâmetros, vamos ter pagar um preço mais alto por isso. Vamos ter que agir mais e isso vai resultar em algum sacrifício. Do ponto-de-vista da mudança climática, é até possível diminuir ou zerar as emissões, mas não é mais possível evitar a mudança climática que já contratamos, das emissões passadas. E esse aquecimento, que já aconteceu, vai produzir uma adaptação maior. No curto prazo, ainda vamos ter muitas surpresas desagradáveis, porque já contratamos mudança climática. Então poderemos ter mais chuvaradas inesperadas, que produzem deslizamentos, tragédias, etc. Isso irá acontecer com mais freqüência e é um preço que teremos que pagar.
Meio e Mensagem

Nenhum comentário:
Postar um comentário