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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Proibição de sacolas plásticas em SP não causará desemprego, diz especialista

Assim como em Cuiabá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras regiões, a distribuição de sacolas de plástico na cidade de São Paulo deve acabar nos próximos meses. O Projeto de Lei que proíbe a disponibilização gratuita de sacolas plásticas nos comércios foi sancionado pelo prefeito Gilberto Kassab na última semana e os estabelecimentos têm até o fim do ano para se adequarem. 

As discussões, no entanto, não se restringem apenas aos ganhos ou perdas para meio ambiente. Ao mesmo passo, o setor econômico de plástico vê a mudança de cenário. Em entrevista ao DCI, empresas ligadas à fabricação e comercialização de sacolas plásticas, por meio da Plastivida, afirmaram que a sacola não é o problema, mas sim o desperdício das embalagens. A Plastivida disse ainda que "as sacolas são apontadas incorretamente como causadoras de impacto ambiental". 

No último ano, segundo um levantamento da empresa, a população brasileira consumiu 14 bilhões de sacolas plásticas, número um pouco menor do que em 2009, quando o consumo chegou a 17,9 bilhões. Além desses argumentos, a preocupação da empresa segue também para outro nicho: o desemprego. "No momento em que se tira um produto da cadeia produtiva, é certo que a indústria vai demitir", afirmou Miguel Bahiense, da Plastivida, empresa que está inserida em um segmento que emprega 30 mil brasileiros. 

Por outro lado, a medida é necessária e terá impactos muito importantes não só para o país, mas para o mundo. De acordo com o professor titular do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP, Eduardo Artaxo, as políticas públicas precisam existir. "A hora que você tiver dois bilhões adicionais de pessoas querendo ter o legítimo direito de ter um carro na garagem, um micro-ondas e um fogão em casa, simplesmente não haverá recursos naturais no nosso planeta para atender esses direitos que a população tem. Vamos precisar ter como obrigatoriedade reduzir o nível de consumo. Alguém vai ter que perder para alguém ganhar". 

Ainda de acordo com Artaxo, o desemprego apontado pela Plastivida está longe de ser um problema. "Esse é um argumento completamente falso. Do mesmo jeito que nesta particular indústria inúmeras pessoas ficarão desempregadas, milhares de outros empregos serão criados em outras indústrias que vão produzir os produtos que substituirão o que outra comercializava. É sempre importante não se ater a uma pequena e particular indústria que vai ter que mandar alguns empregados embora enquanto outros milhares vão encontrar emprego", explica. 

O professor ressaltou que pequenas e simples atitudes ajudam de maneira relevante, mas que é importante perceber que muitas dessas políticas públicas dependem de ações em níveis nacionais e globais. “O desperdício de recursos naturais é insustentável no nosso planeta, mesmo que seja nos próximos dez anos. Então, ou mudamos o padrão de consumo ou simplesmente o barco afunda”.  Pelo Projeto de Lei, os estabelecimentos devem deixar de fornecer as sacolas e incentivar o uso sustentável. Quem fugir das regras ficará sujeito ao pagamento de multas que variam de R$ 50 mil a R$ 50 milhões.

Independente da Lei
A proposta de eliminar o uso das sacolas de plástico não será novidade para algumas empresas. O Pão de Açúcar e o Carrefour já anteciparam a prática. Em 2005, a rede do Pão de Açúcar foi a primeira a incentivar ações como esta e, em seis anos, já comercializou mais de quatro milhões de sacolas retornáveis. "Nossa empresa está avançando em estudos para a eliminação das sacolas plásticas e queremos gerar alternativas viáveis ao consumidor", disse a empresa ao DCI. No Carrefour, a premissa de proteger o meio ambiente também segue. "Atualmente comercializamos seis modelos de sacolas reutilizáveis. Além disso, caixas de papelão são oferecidas gratuitamente para que os clientes possam acomodar suas compras", afirma a empresa.

Nathália Carvalho.

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