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terça-feira, 19 de abril de 2011

Mistérios da natureza: Borboletas usam plantas medicinais para se auto-medicar

A sabedoria da natureza ainda está longe de ser desvendada totalmente pela Ciência. A cada passo, uma nova pesquisa vem demonstrar que sabemos muito pouco dos recursos que ela possui para se manter e evoluir. A observação e o estudo da Vida no Planeta pode nos revelar caminhos de sobrevivência e de esperança.


Se você se interessa por plantas medicinais e medicamentos naturais, por exemplo, saiba que este não é um comportamento exclusivo dos super evoluídos seres humanos. 

Estudar os organismos envolvidos na automedicação nos dá pistas sobre quais compostos pode valer a pena serem investigados por seu potencial como medicamento de uso humano. As folhas que os primatas comem nas florestas , por exemplo, têm sido objeto de estudo dos pesquisadores. 

A descoberta foi feita por um grupo de cientistas das universidades de Michigan e Emory, ambas nos Estados Unidos: As borboletas monarca usam a planta serralha, que possui diversas espécies, para se alimentar e, em virtude dos altos níveis de “cardenolidas” que estas plantas contêm, elas se livram dos predadores porque se tornam tóxicas, impregnadas de veneno que os afasta. Este trabalho com borboletas destaca que, mesmo insetos em nosso próprio quintal, podem ser indicadores úteis do que poderia ser medicinalmente ativo.

A serralha (Sonchus oleraceus) é uma planta da familia Asteraceae. Essa erva, encontrada em quase todo o mundo, é comestível e rica em vitaminas A, D e E; possui um sabor amargo e paladar que lembra o espinafre, e é usada em saladas e cozidos; também é utilizada com fins medicinais.

Geralmente é encontrada próxima às cercas e muros nos quintais e nos terrenos baldios; alcança entre 30 a 80 cm. de altura.

Mas, esta sabedoria das borboletas monarcas vai além: também utilizam plantas medicinais para tratar seus filhotes de doenças.

Segundo o estudo, comprovou-se que algumas espécies de serralha - a planta que serve de alimento para as larvas da borboleta - reduzem as infecções parasitárias nas monarcas. As borboletas fêmeas infectadas preferem depositar seus ovos em plantas que diminuirão o efeito da doença em seus filhotes, sugerindo que as monarcas desenvolveram a capacidade de medicar seus filhos.

Esta pesquisa foi publicada na Revista Ecology Letters que dá enfase à conclusão de que é o primeiro exemplo de medicação transgeracional, com o comportamento da mãe beneficiando seus filhos.

As pesquisas anteriores haviam sido focadas em saber se as borboletas escolhem a espécie mais tóxica de serralha para afastar os predadores.

Agora os pesquisadores se perguntaram se a escolha poderia estar relacionada com um parasita, o protozoário Ophryocystis elektroscirrha que infecta as monarcas.

Os parasitas invadem o intestino das lagartas e sobrevivem quando as lagartas tornam-se borboletas. E uma fêmea infectada transmite o parasita quando ela põe seus ovos. Se a borboleta adulta deixa o estágio de pupa com uma grave infecção parasitária, ela perde fluídos e morre. Mesmo que as borboletas sobrevivam, elas não voam tão bem e nem vivem tanto quanto as não infectadas.


Os experimentos mostraram que as borboletas infectadas escolhem um tipo especial, muito tóxico de serralha. As borboletas não-infectadas não fazem isso.


Igualmente interessante é o fato de que a planta só terá efeitos benéficos para os filhotes, não sendo capaz de destruir o protozoário na própria borboleta-mãe.


Poucos estudos têm sido feitos sobre a automedicação feita por animais, mas alguns cientistas especulam que a prática pode ser mais ampla do que imaginamos.


Vamos olhar com mais atenção as lições que a Natureza nos dá! Basta ter “olhos para ver e coração para sentir”!

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