Apesar dos entraves burocráticos e fiscais da economia, as empresas brasileiras já começam a acreditar mais na inovação como ferramenta para ganhar competitividade, disse à Revista Sustentabilidade Maria Helena Pettersson, sócia-diretora da consultoria internacional Ernst & Young Terco no Brasil.
Em parceria com a Endeavor, grupo internacional de promoção de empreendedorismo, a Ernst & Young Terco está realizando este ano a 13ª edição do prêmio Empreendedor do Ano no Brasil e a 25ª edição mundial.
“A cada ano vemos as empresas mais estruturadas e preparadas, muitas prontas para fazer um IPO [lançar pública de ações inicial”, lembrou. “Houve um amadurecimento e as empresas estão pensando mais na estrutura adequada.
No entanto, Pettersson lembra que as que conseguem chegar sempre são as mais preparadas, pois falta ainda uma estruturação adequada por parte do governo para incentivar e, principalmente, não atrapalhar as processo de inovação na maioria das empresas.
Para ela, o problema não é falta de recursos, já que a o governo tem descontigenciado o orçamento de investimento em P&D e aumentado orçamentos de órgãos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que apenas nos primeiros seis meses de 2011 planeja desembolsar R$1,7 bilhão em 120 novos projetos de inovação. O problema é o acesso a estes programas, lembrou a executiva.
“Se houvesse uma quantidade menor de iniciativas e mais coordenação, talvez isso garantisse que os programa cheguem aos microempresários, pois os recursos estão sendo aportados, as ideias estão aí,” sugeriu.
Um grande problema é a confusão entre programas em nível federal, estadual e municipal. Além disso, segundo Pettersson, há uma complexidade e exagero na exigência por licenças, autorizações e permissões. E na ponta final, a falta de acesso a financiamento acaba complicando ainda mais uma empresa que planeja investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
“Temos que focar nossos recursos,” disse.
INOVAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE
A premiação aborda todos os setores e regiões do país e tem duas categorias: a Master (empresas mais desenvolvidas) e as Emerging (empresas novas). Há também menção honrosa de empresa de tecnologia limpa, Empreendedor Cleantech, que este ano foi dado para a Eólica Tecnologia.
Entre os 18 finalistas estão empresas do setores de tecnologia da informação e comunicação, hotelaria, petróleo alimentção e até educação. O vencedor Master irá representar o Brasil na premiação mundial.
Apesar de Pettersson reconhecer que cada vez mais os investidores estarem exigindo produtos menos danosos ao meio ambiente, os empresários que investem em inovação que buscam produtos menos danosos ao meio ambiente ainda são uma minoria.
“As empresas ainda não sabem que não abordar estes critérios é um risco para a sustentabilidade do próprio negócio,” explicou. “Eles precisam começar a ver a sustentabilidade como oportunidade e não como custo”.
No entanto, por trás deste falta interesse por inovações menos impactantes ao meio ambiente há também uma falta de clareza de políticas públicas para estimular o setor,
“É preciso ter políticas claras que possam ser atendidas e não conflitantes com os reguladores”, disse. “É preciso botar o equilíbrio sócio-ambiental no mesmo patamar que o equilíbrio econômico e na agenda governamental, além de aumentar a conscientização do pública que haja demanda por estes produtos e processos”.

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