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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Brasil não deverá ter nenhum lixão em atividade até 2014

Assim como deverá ser no Brasil, até 2014, Portugal não possui nenhum lixão em atividade. Um ótimo exemplo para o Brasil, no momento em que acaba de ser criado o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos (c) e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa. Em palestra no II Fórum Internacional e Expo de Logística Reversa CLRB, ocorrido na última quinta-feira (24) na capital paulista, o representante da Packaging Recovery Organisation Europe (Pro Europe), o português Luis V. Martins, apresentou os detalhes do trabalho da entidade para o cumprimento das “Diretivas Européias”, válidas para os Estados membros da comunidade, desde 1994, além dos planos futuros e metas alcançadas, referentes à reciclagem das embalagens postas à venda no mercado.

A organização tem 170 mil empresas associadas, está presente em 35 países (34 europeus e o Canadá), cuja população total alcança 400 milhões de habitantes e, em 2009, recolheu para o que chamam de “valorização”, 32 milhões de toneladas de embalagens. “Apesar da expressiva quantidade, há um longo caminho a percorrer, já que o total de materiais colocados no mercado é de 600 milhões de toneladas”, afirma o executivo da Pro Europe.

Na segunda fase das diretivas, encerrada em 2008, em que havia sido estabelecida a meta de recolhimento de 55% de todas as embalagens em circulação, o desempenho de cada país foi bastante diferente, mas a maioria alcançou resultado bastante positivo. O melhor índice foi registrado na Bélgica (80% da meta). Chipre, Romênia e Polônia tiveram os desempenhos mais baixos.

O executivo da Pro Europe citou algumas mudanças ocorridas em sua terra natal, desde a introdução das Diretivas Europeias. “Em Portugal, até 1997, existiam 300 lixões nos cerca de 320 municípios do país. Hoje, não há nenhum em atividade, e todos os resíduos recolhidos são descartados em três centrais de incineração.” Essa informação é bastante relevante, porque a PNRS determina, entre várias outras diretrizes, que, a partir de 2014, todos os lixões no Brasil sejam extintos.

Para o secretário do Ministério do Meio Ambiente, o cidadão é a base fundamental da PNRS. E com o intuito de se instituir uma responsabilidade compartilhada que o Governo Federal está discutindo uma campanha nacional de educação ambiental. “Se a população não for parte integrante e ativa a política não entrará em prática”, esclarece Silvano Silvério Costa.

No que tange os pontos empresariais, o secretário também afirma que não tendo o acordo setorial, dentro dos prazos estipulados, o Governo toma para si esta questão. Mas abranda, pontuando que todos estão trabalhando ao máximo para que o acordo atenda aos envolvidos de forma plena.

Prova disso, segundo o Costa, é o Programa Pro Catador, que viabiliza a inclusão dos catadores na cadeia da logística reversa. “Temos um Comitê Interministerial para pensar na capacitação e melhorias das cooperativas e dos catadores” finaliza o secretário.

Já o analista de políticas industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Wanderley Baptista, afirma que em dois meses a indústria apresentará os processos até então desenhados para a PNRS. Além disso, apresentou o status de cada um dos setores: agrotóxicos, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas, eletroeletrônicos, embalagens de resíduos perigosos e embalagens em geral.

Os cases apresentados no II Fórum, também movimentaram os participantes esclarecendo dúvidas, fluxos e processos que já estão no mercado, com bons resultados. Entre eles, os Correios (tema: logística reversa de pós-venda), Pão de Açúcar (busca da excelência logística e sustentabilidade), TGestiona (novas soluções de logística reversa de produtos eletrônicos), Totvs (tecnologia de informação na logística reversa), Philips (logística reversa de eletrônicos) Chame o Gênio (assistência técnica de eletrônicos no varejo), Associquim e Sindiquim (programa de responsabilidade na distribuição), Inpev (logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas), e Oxil (manufatura reversa de eletrônicos).

O encerramento ficou com a apresentação da pesquisa inédita “Hábitos de Logística Reversa no Brasil 2011”, realizada pelo CLRB - Conselho de Logística Reversa do Brasil, que entre outros aspectos abordou que 60%, das 71 empresas respondentes, possuem um índice de retorno dos produtos de pós-venda entre 5 % e 10% do total de sua produção, sendo que cerca de 10% aponta um índice maior que 10% de retorno. Já o custo deste retorno sobre as vendas dos produtos, para 55% dos pesquisados, foi de 1% a 5% e para 30% das empresas está entre 5% e 10%.

Além disso, a pesquisa conclui que empresas participantes estão conscientes da oportunidade de competitividade através da logística reversa, seja pela redução de custos, diferenciação no mercado, satisfação de clientes ou pelo reforço de imagem corporativa ou de marca. “Porém, as respostas indicam que as ações de diversas naturezas estão ainda aquém das expectativas em muitas empresas”, garante Paulo Roberto Leite, presidente do CLRB. O executivo também afirma que, segundo a pesquisa, é baixo o domínio de processos e informações sobre a logística reversa dentro das empresas. “Como consequência percebe-se muitas oportunidades de melhorias, e, portanto de ganhos”, finaliza Leite.

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