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segunda-feira, 28 de março de 2011

Realizado diagnóstico sobre impactos da pavimentação da Interoceânica

Segundo a empresária Verônica Cardoso, de Iñapari, no Peru, o município não está preparado para usufruir os benefícios que do asfaltamento da estrada Interoceânica, que ligará a fronteira brasileira, no Acre, aos portos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan pode proporcionar e muito menos minimizar os prejuízos que consequentemente ocorrerão. “Não temos médicos, postos de saúde, laboratórios, nada que possa nos ajudar no caso, por exemplo, de uma epidemia. Não conseguimos dar conta nem dos problemas que já vivemos como, vamos enfrentar a chegada de outros? Hoje é perceptível o grande número de pessoas de outros países que migram para esta região e fazem uso de nossos recursos, muitas vezes de forma inadequada”, enfatizou.

A declaração aconteceu durante o encontro para a realização do Diagnóstico do Uso da Terra Associado aos Impactos da Pavimentação da Rodovia Interoceânica, nos dias 14 e 15 de março, nos municípios de Iñapari e Iberia (Peru). O evento reuniu representantes do governo municipal, Ministério do Meio Ambiente, Ministério Público, pequenos agricultores, seringueiros, representantes do comércio local e sociedade civil peruana. Na ocasião, a coordenadora e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) no Acre, Elsa Mendoza, apresentou a Instituição e suas áreas de atuação, além de propor uma dinâmica de reconhecimento territorial para identificação dos benefícios, problemas e soluções ocasionados pelo asfaltamento da estrada.

A iniciativa é parte das atividades realizadas pelo IPAM, com apoio da Fundação Moore e da Iniciativa MAP (Madre de Dios, Peru, Acre, Pando – Bolívia), onde foram identificados fatores sociopolíticos, econômicos e ambientais pós-pavimentação da Interoceânica, a partir da percepção da comunidade local.


Um dos aspectos benéficos mais citados foi o acesso mais rápido entre os municípios e as capitais do estado, bem como para outros países, ocasionando integração regional. Também foram apontados a chegada de imigrantes, geração de empregos, facilidade de transporte, aumento dos serviços básicos, fortalecimento do comércio e outros. Mas foram levantados, ainda, os principais problemas que a estrada asfaltada originou, como o incremento da degradação ambiental, desflorestamento das margens da estrada, aumento do índice de violência e uso de entorpecentes, exploração sexual, venda de terrenos dos agricultores ao longo da estrada para empresas internacionais.


O Diagnóstico do Uso da Terra Associado aos Impactos da Pavimentação da Interoceânica vem sendo realizado desde 2002, tendo início através de uma expedição à estrada Interoceânica, realizada por pesquisadores do IPAM (Daniel Nepstad, Ane Alencar, Elsa Mendoza, Foster Brown, Maria del Carmen Dias). Já em 2004, o trabalho se concretiza através do primeiro diagnóstico realizado na região MAP, período que antecedeu a construção da interoceânica. Foram analisados, na época, os mesmos fatores socioeconômicos e ambientais, onde, de acordo com a percepção das comunidades, a pavimentação da estrada seria a solução dos problemas vivenciados por eles.


Esse novo diagnóstico será desenvolvido ainda em outros sete municípios, Tahuamanu, las Piedras, Puerto Maldonado, Laberinto e Mazuko. Os resultados do diagnóstico contribuirão para análise dos impactos ocasionados na região, além de subsidiar políticas governamentais, que deverão ser usadas no intuito de minimizar os impactos negativos decorrentes do asfaltamento e maximizar seus benefícios.

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