Levantamento de aracnídeos num remanescente de Mata Atlântica com 7.500 hectares revelou a presença de seis espécies de escorpião e 169 de aranhas, das quais 136 são desconhecidas da ciência. Os novos tipos de aranha serão descritos por equipe do Instituto Butantan, em São Paulo, que colaborou com a pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O estudo foi feito no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), com sede em Paudalho, na Zona da Mata Norte do Estado. O quartel, que abrange sete municípios, é usado como área de treinamento pelo Exército.
O trabalho, realizado por aluno de mestrado em biologia animal da UFPE, resultou na captura de 4.592 exemplares de aranha e 355 de escorpiões. O resultado será divulgado ainda este mês, quando Arthur Álvaro Costa, apresentará a dissertação.
A professora do Departamento de Zoologia da UFPE, Cleide Albuquerque, que orientou a pesquisa, esclarece que o aluno não apenas levantou as espécies de aracnídeos do local. Parte do campo de instrução é de floresta quase virgem e parte de mata atlântica que passou a ocupar uma área antes dominada por canavial. O estudo nos permitiu comparar as espécies nesses dois ambientes, esclarece.
A mata é quase virgem, explicam os estudiosos, porque já sofreu queimadas e corte seletivo. E hoje, se encontra em um estágio mais avançado de regeneração que a parte que abrigou cana-de-açúcar, diz Arthur. Além de informações históricas, ele analisou a altura das árvores e a quantidade de folhas mortas e galhos que cobre o solo a serapilheira nos dois tipos de florestas do CIMNC para diferenciar as áreas mais e menos preservadas.
Os dados revelam que a área desmatada para o plantio de cana-de-açúcar foi capaz de se regenerar a ponto de abrigar mais espécies exclusivas do que a parte intocada da floresta. Dos 169 tipos de aranhas, 73 ocorreram nos dois tipos de ambientes, 37 são únicas das áreas mais preservadas e 59 dos ambientes de mata onde antes era canavial, resume Arthur.
O biólogo informa que o quartel passou a ocupar o local em 1944, quando a União desapropriou nove engenhos. O lugar não passou por reflorestamento. A vegetação se recompôs naturalmente, comprovando a tese de que uma mata de capoeira está a um passo de se transformar numa floresta e por isso deve ser protegida.
Segundo o pesquisador, os resultados evidenciam a importância das florestas secundárias para a manutenção da diversidade e corroboram a necessidade de manutenção de áreas com cobertura vegetal para a conservação de espécies já conhecidas e, principalmente, das que ainda são desconhecidas para a ciência.
Acima, fotos de Arthur Costa. Passe o mouse em cima da foto para ver o nome científico da espécie. Abaixo, infográfico da Editoria de Arte do Jornal do Commercio. Clique em MENU e VIEW FULLSCREEN para visualizar tela inteira e ESQ para retornar.



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