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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Curitiba, a Capital Ecológica e o Dilema da Guarda Responsável de Animais

Parte expressiva da população de Curitiba não tem feito jus à fama de Capital Ecológica que a cidade ganhou, mundo afora. Não pelo menos em relação aos seus animais domésticos. Boa parte dos moradores da cidade têm deixado seus cães e gatos de lado  literalmente. Não há dados oficiais recentes dimensionando a gravidade do problema, mas pesquisa feita pela Secretaria de Saúde de Curitiba, em parceria com a UFPR (Universidade Federal do Paraná), estima que há aproximadamente 236 mil animais domésticos perambulando pelas ruas da cidade, praticamente todos os dias.

Deste total, 222 mil (48%) são semi-domiciliados (têm donos, mas são
maltratados ou criados livremente) e 14 mil são abandonados (3% do total). É bastante coisa. Não é outro o motivo pelo qual, percorrendo qualquer bairro da cidade, você acha facilmente cães e gatos andando pelas ruas. No total, estima-se que exista cerca de um animal  cães e gatos, em sua quase totalidade  para cada quatro pessoas em Curitiba. Considerando-se que a população da capital é de 1,85 milhão de pessoas (IBGE/2009), haveria então 463 mil cães e gatos na cidade.

É claro que este tipo de comportamento gera uma série de problemas. Para os
animais, além da fome e das doenças, os ferimentos, as mortes violentas e a reprodução descontrolada. Para os seres humanos, as doenças (raiva, sarna, bicho geográfico, toxosplamose, brucelose, parasitoses em geral), acidentes (atropelamentos de cães e gatos, com consequências variadas para as pessoas), ferimentos e até as mortes provocadas por ataques de cães.

A Prefeitura de Curitiba está se empenhando para fazer a sua parte na
solução do problema. Em abril do ano passado, lançou a Rede de Defesa e Proteção Animal, com três objetivos: melhorar a condição de vida da fauna da cidade, controlar a população de animais e estimular a guarda responsável. Por meio dela, os donos podem cadastrar seus cães e gatos, informando dados como idade, raça, nome e endereço do responsável. O  processo é fácil. Basta acessar o site www.protecaoanimal.curitiba.pr.gov.br 

Simultaneamente, a prefeitura implantou o sistema de microchips nos animais domésticos, que facilita a busca dos cães e gatos (no caso do seu desaparecimento) e do seu responsável (no caso de abandono destes animais).

Mas a população também precisa fazer a sua. O número de animais
microchipados (cerca de mil) ainda é pequeno diante do total de cães e gatos da cidade, mesmo com o custo baixo do serviço (R$ 9). Muita gente continua descartando-os como sacos de lixo ou estimulando sua reprodução, sem nenhum critério.

Um conhecido meu, dono de um vira-lata chamado Toco, contou que não gosta de
criar o animal preso em casa. Solta-o com freqüência na rua. Ele já veio de lá. Não agüentaria viver preso em casa, justificou. Da última escapadela do animal, contou ele, resultou uma ninhada de seis filhotes  fruto da cruza do Toco com uma vira-lata da vizinhança. Agora, mãe e os seis filhotes, todos vivem na rua. Nada a ver com a imagem de cidade ambientalmente correta que o mundo aprendeu a respeitar.
Carta Capital  

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