Pilotando velhas máquinas, elas criam peças criativas e superdescoladas
No século passado, a máquina de costura serviu de instrumento para a mulher conquistar uma profissão, trabalhando em casa ou com carteira assinada, em fábricas e oficinas. Hoje, com o fomento das faculdades de moda, há jovens que mostram seu talento manuseando novas ou antigas máquinas (algumas herdadas da família), e fazem disso um hobby ou até uma ocupação. O gostinho de poder criar as próprias roupas, sem correr o risco de se deparar com alguém usando o mesmo look, é um prazer que se espalha pelas novas gerações.
Aos 20 anos, a jovem carioca Luana Perrota é um bom exemplo dessa leva. Neta de alfaiate, aprendeu cedo a montar peças com os retalhos que sobravam das costuras do avô, transformando-as em modelitos para as bonecas ou em gravatas para o pai. Já na adolescência, sentia dificuldade em achar peças no seu estilo e passou a usar vestidos do guarda-roupa da avó como moldes para criar os seus. Daí, foi um pulo para se tornar referência na rodinha de amigas. Hoje, Luana cria e também se inspira em modelos que vê na internet e em livros de época. "Antigamente, as mulheres costuravam para a família. Hoje, é uma questão pessoal."
Com uma amiga, Luana criou uma marca própria, a Cat Class, com vendas pela internet. As encomendas já chegaram a Manaus, Curitiba e Cuiabá. Seus instrumentos de trabalho incluem duas máquinas de costura – uma dos anos 50, que era do avô, e outra dos anos 70 –, que dividem espaço com o computador. Quando recebe um pedido, Luana compra o tecido, faz o corte, costura e cuida dos detalhes do acabamento. Isso a ocupa por dois dias. "Fico toda orgulhosa. E acho legal ir a uma festa e ver alguém usando minhas criações."
Roupas e acessórios.
Há quem leve um susto ao descobrir que a costureira Renata Fiore, que mora em Brasília, tem só 28 anos. Sua história começou há seis anos, quando precisou comprar uma bolsa e decidiu ir atrás dos apetrechos para produzi-la. Não demorou muito para começar a vender pela internet e em bazares. Depois sentiu falta de roupas bacanas que pudessem combinar com seus acessórios. Então, há dois anos, passou a costurar batas, vestidos e saias – tudo com tecidos de estampas bem coloridas, que compra numa cidade vizinha.

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