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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quem quer morar em área de risco?

  Ninguém vai morar em área de risco porque quer ou porque é burro.

Na última terça-feira participei do Jornal da TV Cultura, falando sobre o
problema das chuvas que atingem várias regiões do nosso país nesta época do ano.
Depois da apresentação de uma reportagem que mostrava deslizamentos de encostas e perdas de vidas em várias cidades, a primeira pergunta do apresentador Heródoto Barbeiro foi: isso tem solução?

Segue abaixo a minha resposta:

Tem solução, sim. Evidentemente algumas medidas são paliativas. Há formas
de intervenção para melhorar a estabilidade dos terrenos, drenar melhor a
água, conter encostas, ou seja, melhorar a condição de segurança e a gestão
do lugar para que, mesmo numa situação de risco, se possam evitar mortes.


Mas a questão de fundo é que  ninguém vai morar numa área de risco porque
quer ou porque é burro. As pessoas vão morar numa área de risco porque não
têm nenhuma opção para a renda que possuem. Estamos falando de trabalhadores
cujo rendimento não possibilita a compra ou aluguel de uma moradia num local
adequado.

E isso se repete em todas as cidades e regiões metropolitanas.


Não adiantam nada as obras paliativas aqui e ali se não tocarmos nesse ponto
fundamental que é: quais são os locais adequados, ou seja, fora das áreas de
risco, que serão abertos ou disponibilizados para que a população de menor
renda possa morar?.


Quem quiser assistir a edição completa do telejornal, pode acessar o site da
TV Cultura no seguinte link:
http://www.tvcultura.com.br/jornal-da-cultura/programa/jc20110111

Por Raquel Rolnik

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