Ninguém vai morar em área de risco porque quer ou porque é burro.
problema das chuvas que atingem várias regiões do nosso país nesta época do ano.
Depois da apresentação de uma reportagem que mostrava deslizamentos de encostas e perdas de vidas em várias cidades, a primeira pergunta do apresentador Heródoto Barbeiro foi: “isso tem solução?”
Segue abaixo a minha resposta:
“Tem solução, sim. Evidentemente algumas medidas são paliativas. Há formas
de intervenção para melhorar a estabilidade dos terrenos, drenar melhor a
água, conter encostas, ou seja, melhorar a condição de segurança e a gestão
do lugar para que, mesmo numa situação de risco, se possam evitar mortes.
Mas a questão de fundo é que ninguém vai morar numa área de risco porque
quer ou porque é burro. As pessoas vão morar numa área de risco porque não
têm nenhuma opção para a renda que possuem. Estamos falando de trabalhadores
cujo rendimento não possibilita a compra ou aluguel de uma moradia num local
adequado.
E isso se repete em todas as cidades e regiões metropolitanas.
Não adiantam nada as obras paliativas aqui e ali se não tocarmos nesse ponto
fundamental que é: quais são os locais adequados, ou seja, fora das áreas de
risco, que serão abertos ou disponibilizados para que a população de menor
renda possa morar?”.
Quem quiser assistir a edição completa do telejornal, pode acessar o site da
TV Cultura no seguinte link:
http://www.tvcultura.com.br/jornal-da-cultura/programa/jc20110111
Por Raquel Rolnik
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