Fast-Fashion (moda rápida ) é um termo utilizado por marcas de roupa que possuem uma política de produção rápida e contínua de peças, trocando semanalmente ou até diariamente a suas coleções. O conceito foi criado por grandes varejistas da europa como H&M e Zara e basicamente prega a produção e o consumo rápido.
"- A loja cria uma relação mais intensa com o consumidor, porque educa o cliente a não esperar por liquidações. Se ele não comprar logo a peça de que gostou, semana que vem ela já pode ter sido vendida. O cliente passa a ir mais ao ponto de venda e, em conseqüência, compra mais." Define alberto Serrentino, sócio-sênior da Gouvêa de Souza & MD, consultor especializado em varejo em uma matéria no site Mercado Competitivo postada no blog Fashion Bubbles.
Na mesma matéria João Bailey, sócio da Checklist diz que o aumento da produção garante preços mais acessíveis. Isso, além das novidades das araras, atrai os clientes às lojas: "- Essa estratégia do fast fashion atinge em especial a cliente que vai usar de três a cinco vezes as nossas peças. E, depois, quer novidades. "
Mas espere um pouco, a conta simplesmente não fecha, como é possível aumentar absurdamente o número de peças e modelos e ainda diminuir o preço?
Por trás do slogan "sempre temos novidades" a verdadeira intenção do Fast Fashion é produzir e vender o mais rápido possível. Ele é um movimento liderado e forçado por grandes varejistas que movimentam milhões de doláres e consequemente milhões de pessoas, sim, as pessoas que não foram citadas em nem sequer uma linha da grande maioria das matérias que li sobre o assunto.
Também questionando esta conta irracional a jornalista do Guardian Lucy Siegle escreveu uma matéria que investigou o impacto desta política nas fábricas e nas pessoas que produzem estas roupas.
As fábricas destes grandes varejistas estão localizadas em países subdesenvolvidos como Cambodia, Bangladesh e Índia aonde é comum o trabalho análogo à escravidão infantil. É basicamente uma constante as pessoas que produzem estas peças tem péssimas condições de trabalho e salários baixíssimos.
Ela pede para visualizarmos: "Imagine uma fábrica recebendo um fax de última hora ´pedindo´ para que uma peça seja modificada. Ela não tem capacidade, mas você acha que eles irão recusar um pedido de seu cliente? É claro que não, eles simplesmente vão dar um jeito de atender a este pedido". Adivinhe quem sofre neste processo? Claro as pessoas que serão exploradas a trabalhar mais, em piores condições e com um prazo menor.
E os grandes varejistas aproveitando a posição de poder continuam a pressionar estes fornecedores exigindo prazos mais rápidos e preços mais baixos, as fábricas não querem perder os clientes e fazem tudo o que se pede e toda a "bomba" cai no colo destes trabalhadores que são explorados até o limite.
Neste rítimo frenético não há espaço para respeito, calma, qualidade e muito menos sustentabilidade.
E se você pensa que isto só acontece em países longe daqui ou é exceção é só lembrar o caso que relatamos aqui no blog sobre um dos maiores varejistas brasileiros a Marisa, ela contratou fornecedores que mantinham pessoas trabalhando em semi-escravidão.
O Fast Fashion é uma máxima do consumismo que nos diz: compre freneticamente, descarte o que puder e não pense sobre isto. Nós estamos justamente em um momento em que precisamos repensar as nossas atitudes e ter mais consciência de nossos atos. O planeta esta sofrendo e estamos caminhando rumo a um ecocídio, as mudanças precisam começar conosco.
O fast fashion é ruim para as pessoas e é ruim para o meio ambiente.
Na sua próxima compra pare e reflita alguns segundos, pense na história daquele produto, quem o produziu e em quais condições?
De preferência a produtos com matérias primas sustentáveis e processos socialmente mais justos. Sim ainda eles são um pouco mais caros e difíceis de se encontrar, mas dê o primeiro passo, troque um produto de sua lista de compras por um produto mais consciente e vá fazendo aos poucos, sua atitude irá manter viva as empresas que fazem diferença e sua ação vai melhorar a vida de milhares de pessoas.
Por Coletivo verde

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