A Abividro, associação que reúne fabricantes automáticos de vidros, tomou dianteira entre os demais setores da indústria da embalagem no processo de adaptação à nova legislação sobre resíduos sólidos, sancionada em agosto passado.
A partir de um estudo desenvolvido pelo Monitor Group, uma consultoria de estratégia, a Abividro apresentou ao Ministério do Meio Ambiente seu Plano de Logística Reversa, já atendendo as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
O modelo proposto foi inspirado nas práticas de reciclagem adotadas com
sucesso em países europeus. A precursora foi a Alemanha, que em 1991
instituiu uma agência gerenciadora para centralizar o processo, cuja
responsabilidade é a de coordenar a logística reversa de materiais
utilizados em embalagem em âmbito nacional.
A gerenciadora que a Abividro propõe instalar no Brasil será uma instituição
sem fins lucrativos e terá o papel de intermediar as relações com o poder
municipal, cooperativas de catadores, beneficiadoras, fabricantes de vidro e
envasadoras. Entre suas atribuições estão: coordenar a participação dos
municípios, capacitar e credenciar cooperativas de catadores e
beneficiadoras, negociar operações de compra e venda de recicláveis triados,
gerir a logística reversa dos recicláveis e promover campanhas de
conscientização sobre reciclagem. Para a execução dessas funções deverá
investir até R$ 60 milhões por ano.
Na opinião de Lucien Belmonte, superintendente da Abividro, a fórmula
proposta atende todos os pontos da PNRS, ao implementar a responsabilidade
compartilhada, criar sistema de logística reversa e assegurar a destinação
adequada dos materiais recicláveis.
Esse modelo tem ainda vantagens adicionais. É aplicável em escala nacional,
proporciona inclusão social com geração de renda ao contemplar a
participação de cooperativas de catadores, e é atraente para a indústria
como uma alternativa econômica para os envasadores e empacotadores. Por fim,
é uma fórmula que pode ser expandida para toda a gama de materiais
recicláveis.
Belmonte anuncia que as indústrias vidreiras irão investir inicialmente R$
10 milhões na criação da gerenciadora, que será administrada por uma equipe
profissional independente e terá um conselho composto por membros das várias
instâncias envolvidas.
Segundo ele, a estimativa é que após quatro anos de sua instalação, a
gerenciadora fará com que o índice de reciclagem do setor vidreiro atinja
50%. Em termos financeiros, equivale a passar dos atuais R$ 60 milhões
movimentados por ano pelo setor para R$ 120 milhões/ano. Se os esforços
resultarem na adesão de todos os envasadores existentes no país e de todos
os municípios brasileiros, é possível que o setor de reciclagem de vidro
movimente cerca de R$ 220 milhões/ano.
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