A presidente Dilma promete priorizar a educação.
O ministro Fernando Haddad se compromete a adotar tempo
integral no ensino médio, combinando atividades curriculares com aprendizado profissionalizante.
São promessas às quais se soma a de aplicar 7% do PIB na educação (hoje, apenas 5,2%, cerca de R$ 70 bilhões).
O governo Lula avançou muito na área: criou 14 novas universidades públicas
e mais de 130 expansões universitárias; a Universidade Aberta do Brasil
(ensino à distância), cuja qualidade é discutível; construiu mais de 100
campi universitários pelo interior do país; criou e/ou ampliou Escolas
Técnicas e Institutos Federais e, através do PROUNI, possibilitou a mais de
700 mil jovens o acesso ao ensino superior.
Outro avanço é a universalização do ensino fundamental, no qual se encontram
matriculados 98% dos brasileiros de 7 a 14 anos. Porém, quantidade não
significa qualidade. Ainda há muito a fazer. Estão fora da escola 15% dos
jovens entre 15 e 17 anos. Ao desinteresse, principal motivo, alinham-se a
premência de trabalhar e a dificuldade de acesso à escola.
Tomara que a proposta de tempo integral do ministro Haddad se torne
realidade. Nos países desenvolvidos os alunos permanecem na escola, em
média, 8h por dia. No Brasil, 4h30. Pesquisas indicam que, em casa, passam o
mesmo tempo diante da TV e/ou do computador. Nada contra, exceto o risco de
obesidade precoce. Mas como seria bom se TV emitisse mais cultura e menos
entretenimento e se na internet fossem acessados conteúdos mais educativos!
Os estudantes brasileiros leem 7,2 livros por ano, dos quais 5,5 são
didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro por escolha própria. E
46% dos estudantes não frequentam bibliotecas.
No Pisa 2009 (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), aplicado em 65
países, o Brasil ficou em 53º lugar. Na escala de 1 a 800 pontos, nosso país
alcançou 401. No quesito leitura, 49% de nossos alunos mereceram nível 1 (1
equivale a conhecimento rudimentar e 6 ao mais complexo). Nível 1 também
para 69% de nossos alunos em matemática e para 54% em ciências.
O Pisa é aplicado em alunos(as) de 15 anos. Nas provas de matemática e
leitura, apenas 20 alunos (0,1%), dos 20 mil testados, alcançaram o nível 6
em leitura e matemática. Em ciências, nenhum. No conjunto, é em matemática
que nossos alunos estão mais atrasados: 386 pontos (o máximo são 800). O MEC
apostava atingirem 395. Na leitura, nossos alunos fizeram 412 pontos, e em
ciências, 405.
Estamos tão atrasados que o Plano Nacional de Educação prevê o Brasil
alcançar, no Pisa, 477 pontos em 2021. Em 2009, a Lituânia alcançou 479; a
Itália, 486; os EUA, 496; a Polônia, 501; o Japão 529; e a China, campeã,
577.
Nos países mais desenvolvidos, 50% do tempo de instrução obrigatório aos
alunos de 9 a 11 anos e 40% do tempo para os alunos de 12 a 14 anos é
ocupado com ciências, matemática, literatura e redação. E, no ensino
fundamental, não se admitem mais de 20 alunos por classe.
Onde está o nosso tendão de Aquiles? Na falta de investimentos - em
qualificação de professores, plano de carreira, equipamentos nas escolas
(informática, laboratório, biblioteca, infra desportiva etc).
Análise de 39 países, feita pela OCDE em 2010, revela que o investimento do
Brasil em educação corresponde a apenas 1/5 do que os países desenvolvidos
desembolsam para o setor. EUA, Reino Unido, Japão, Áustria, Itália e
Dinamarca investem cerca de US$ 94.589 (cerca de R$ 160 mil) por aluno no
decorrer de todo o ciclo fundamental. O Brasil investe apenas US$ 19.516
(cerca de R$ 33 mil).
Embora a OMC tenha insinuado retirar a educação da condição de dever do
Estado e direito do cidadão e transformá-la em simples negócio - ao que o
governo Lula se contrapôs decididamente -, os 5,2% do PIB que nosso país
aplica na educação são insuficientes. O que favorece a multiplicação de
escolas e universidades particulares de duvidosa qualidade. Entre os países
mais ricos, derivam do poder público 90% do investimento em ensinos
fundamental e médio.
Ainda convivemos com cerca de 14 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais.
Sem contar os analfabetos funcionais. Dos 135 milhões de eleitores em 2010,
27 milhões não sabiam ler nem escrever. Faltou ao governo Lula um plano
eficiente de alfabetização de jovens e adultos.
Tomara que Dilma cumpra a promessa de criar 6 mil novas creches e o MEC se
convença de que alfabetização de jovens e adultos não se faz apenas com
dedicados voluntários. É preciso magistério capacitado, qualificado e bem
remunerado.
Todos gostariam que seus filhos tivessem ótimos professores. Mas quem sonha
em ver o filho professor? Na Coreia do Sul, onde são tão bem remunerados
quanto médicos e advogados, e socialmente prestigiados, todos conhecem o
provérbio: “Jamais pise na sombra de um professor.”
Por Frei Beto
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