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sábado, 15 de janeiro de 2011

A bolha dos alimentos, prestes a estourar



Escassez pode levar civilizacão à falênciaLester Brown é um sujeito muito sério. Fundador e presidente do Earth Policy Institute, organização não governamental baseada em Washington, DC, é autor de uma penca de livros sobre ambiente e sustentabilidade, um deles, Plano B 4.0, resenhado neste espaço. Ele publicou ontem um artigo no Grist, falando das ameaças que pairam sobre o mundo na questão dos alimentos. Segundo ele, estamos à beira de um colapso.

"Registros arqueológicos de civilizações antigas indicam que com frequência o que levou a suas derrocadas foi uma escassez de alimentos. A comida também parece ser o elo fraco também de nossa civlização global. E, diferentemente da bolha imobiliária americana, a bolha alimentar é global", escreve ele.

"A questão não é se a bolha vai explodir, mas quando. Enquanto a bolha imobiliária foi criada por uma superoferta de crédito, a bolha de alimentos está baseada no uso abusivo da terra e dos recursos de água. Além disso, ela é ameaçada pelos estresses do clima, derivados da queima excessiva de combustíveis fósseis. Quando a bolha imobiliária americana explodiu, ela enviou ondas de choque para toda a economia mundial, culminando na pior recessão desde a Grande Depressão. Quando a bolha alimentar explodir, os preços dispararão em todo o mundo, ameaçando a estabilidade econômica e política em todo canto. Para aqueles que vivem nos degraus mais baixos da escada econômica global, a própria sobrevivência vai estar em risco.

"Os sinais de perigo estão por toda parte. No verão de 2010, temperaturas recordes torraram Moscou do final de junho até meio de agosto. O oeste da Rússia estava tão quente no começo de agosto que entre 300 a 400 incêndios ocorriam todos os dias. Mais de 56 mil pessoas morreram com o calor extremo. O recorde encolheu a colheita de grãos da Rússia de 100 milhões para 60 milhões de toneladas. Esta queda de 40% e a proibição de exportação a ela associada ajudaram a aumentar o preço do trigo em 60% em dois meses, elevando o preço do pão no mundo todo.

"Ecologistas especializados em colheitas estimam que 1 grau centígrado acima da norma, no período de crescimento, provoca um declínio de safra de 10%.  Em partes da Rússia Ocidental, o calor destruiu totalmente plantações de trigo. A probabilidade de ondas de calor vai aumentar, com o aumento das temperaturas da Terra.

"Quando tempo temos antes de bolha alimentar explodir? Ninguém sabe. Se continuarmos com as coisas como estão, este tempo será medido mais em anos que em décadas. Estamos agora tão próximos do limite, que a desestabilização política causada por aumentos de preços de alimentos pode ocorrer a qualquer momento.

"Se a onda de calor tivesse acontecido em Chicago, por exemplo, teria reduzido a colheita de grãos dos EUA, de 400 milhões de toneladas, em 40%, ou 160 milhões de toneladas. Os grãos em estoque em todo o mundo cairiam para um período recorde de 52 dias de consumo, bem abaixo dos 62 que geraram a triplicação de preços entre 2007 e 2008.

"Países exportadores de petróleo tentariam trocar a commodity por alimentos. Países de baixa renda importadores de grãos perderiam. Em vez de mostrar cenas de fumaça e fogo em Moscou, a TV mostraria imagens ao vivo de  conflitos em torno de alimentos, fome se espalhando, governos caindo e estados entrando em colapso. E aí a economia mundial começaria a se desmanchar".

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