Quem passa pelo Ibirapuera tem grandes chances de ver essa ilustre moradora do parque voando serelepe próxima ao chão ou no alto das árvores. A Phoebis philea é chamada borboleta-gema pela inconfundível coloração das asas. As fêmeas adoram sobrevoar as flores também amarelas de cássias, em dias ensolarados, para se alimentar de néctar. Já os machos, preferem as bordas de lagos e riachos, para sugar os sais minerais presentes no barro.
"As borboletas são um grupo de insetos que apresentam grande fidelidade ecológica às condições espaciais e microclimáticas, por isso, algumas espécies tornam-se excelentes bioindicadoras para o monitoramento ambiental de um local. Em ambientes profundamente alterados pelo homem ou poluídos, a vasta maioria das espécies desaparece por completo, deixando umas poucas 'pragas' resistentes,", informa a bióloga Hiroe Ogata, da Divisão de Fauna, da Secretaria do Verde de São Paulo.
Hiroe vem fazendo um levantamento das borboletas em São Paulo e já descobriu, mesmo com o intenso nível de urbanização da cidade, 144 espécies vivendo em 53 parques e áreas verdes pesquisadas. O Ibirapuera é uma das regiões que mais concentram as "Lepídopteras", como são chamados esses insetos, com 35 espécies observadas – a borboleta-gema entre elas.
"Os parques municipais são geralmente vistos pela população apenas como áreas de lazer, mas ele cumprem as mais variadas funções, de preservação de vegetação nativa, até como banco genético e refúgio para os animais da cidade", diz Hiroe.
Embora a fauna urbana seja menos diversificada do que aquela encontrada nos ambientes naturais próximos, ela existe entre nós, e se mantém nos parques e jardins, públicos ou privados, sejam eles ambientes artificialmente criados, com o parque Ibirapuera, ou fragmentos remanescentes de vegetação. Portanto, procure valorizados e conservá-los. Basta ver aqui como apenas uma árvore pode ser abrigo para muitas espécies de vida.
Rodrigo Gerhardt
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