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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Programa Biota-FAPESP discute origem da biodiversidade


Cientistas de seis países tratam de processos históricos que explicam a atual distribuição geográfica da biodiversidade e podem apoiar a definição de áreas de conservação


Pesquisas recentes sobre a origem da biodiversidade em determinados biomas e a distribuição espacial de espécies ao longo do tempo serão apresentadas nos dias 8 e 9 de novembro no Simpósio Internacional sobre Filogeografia, organizado pelo Programa Biota-FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo. O encontro procura estimular novos projetos colaborativos entre pesquisadores brasileiros e de centros internacionais dessa área multidisciplinar, que integra conhecimento sobre o clima e a vegetação no passado para compreender o funcionamento atual das diferentes regiões geográficas que compõem os biomas. O Simpósio será realizado no auditório FEA 5, na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

 
A filogeografia estuda processos que geram e mantêm a biodiversidade, e também aqueles que podem resultar em sua redução. Dados sobre a expansão de populações de determinadas espécies, sua separação causada por barreiras geográficas ou migração, por exemplo, contribuem para aumentar o conhecimento sobre as espécies e, por consequência, poderão apoiar a definição de áreas de conservação. Pesquisas em filogeografia envolvem a genética, botânica, zoologia, ecologia, estudos sobre o clima e sobre processos evolutivos, ajudando a entender onde determinadas espécies persistiram e como sua possível diversificação biológica está relacionada a mudanças ambientais. Uma das hipóteses já razoavelmente comprovada é a de que regiões com maior diversidade são aquelas onde as espécies existem há mais tempo.

 
Clima e paleoecologia
O seminário terá a participação de pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Portugal, Argentina e França. Entre eles está o australiano Craig Moritz, diretor do Museu de Zoologia de Vertebrados da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cuja pesquisa tem foco na diversidade genética, demografia e distribuição de populações de anfíbios e répteis em florestas tropicais.
Marie-Pierre Ledru, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, em Montpellier, França, irá apresentar uma visão paleoecológica das mudanças na expansão e composição da flora da Mata Atlântica. A partir do estudo de fósseis, a pesquisadora chegou a conclusões sobre o clima e a vegetação do passado. Esses paleoindicadores poderão confirmar se modelos da distribuição atual e passada de espécies, com base em dados climáticos, são de fato aplicáveis para previsão da sobrevivência das populações atuais no futuro.
José Marengo, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE), vai discutir o uso do modelo climático atual do CPTEC para simulação de clima e da vegetação na América do Sul há cerca de 6 mil anos, durante o período Holoceno.

 
Biota+10
Desde 1999, o Biota-FAPESP modernizou metodologias e técnicas para enfrentar desafios científicos e produzir conhecimento sobre a biodiversidade. A estratégia do Programa para os próximos 10 anos prevê a integração entre a biologia, ecologia, ciências sociais e outras áreas para ampliar a base científica necessária para formulação de políticas de conservação e uso sustentável de recursos naturais. Entre as prioridades atuais do Biota-FAPESP estão novos sistemas de informação, inventários baseados na genômica e metagenômica, comparações de sequências de DNA para compreensão das relações entre grupos de organismos, pesquisas sobre a biodiversidade marinha, ecologia aplicada e dimensões sociais da conservação, bioprospecção, filogenia e filogeografia.

 


Simpósio Internacional sobre Filogeografia

Data: 8 e 9 de novembro de 2010
Horário: das 9h às 18h
Local: Auditório FEA 5 – Faculdade de Economia e Administração da USP
Endereço: Av. Professor Luciano Gualberto, 908 – Cidade Universitária

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